(Foto: EBC)

Há um ano, Alejandro Viveros decidiu se aventurar em um novo setor da economia suíça: a maconha. O que o jovem empresário não imaginava é que a concorrência seria tão dura. Desde 2016, a lei permite o comércio de cannabis, desde que ela tenha menos de 1% de THC, sua principal substância psicoativa. Por isso, o produto foi apelidado de “maconha light” e regulado pelas mesmas leis que controlam o tabaco.

Hoje, a maconha light é vendida em postos de gasolina, supermercados e pela internet, com pacotes que alertam para os riscos do consumo e um monitoramento rígido por parte do Estado. O resultado foi a proliferação dos produtores e empresas de distribuição, ansiosos em entrar de forma legal no mercado.

Dados oficiais mostram que, no início de 2017, apenas cinco empresas atuavam no mercado da maconha na Suíça. Hoje, de acordo com o Departamento de Aduana, são 669 empresas. Uma delas é a companhia aberta por Viveros, a Vicann.

Ao Estado, o empresário disse que a abertura da empresa seguiu o trâmite normal. “O processo é o mesmo de qualquer empresa”, afirmou. A diferença, segundo ele, é a exigência de que a companhia seja registrada no Departamento de Aduana, que concede um número de registro que autoriza a compra da maconha.

“Eu posso adquirir quanto eu quiser do produto”, explicou Viveros. A cada mês, o empresário, que compra sua maconha de um produtor de Freiburg, precisa detalhar às autoridades quantos pacotes vendeu. Hoje, ele conta com três pontos de venda em Genebra, além de um site que permite a entrega.

Em cada pacote, 2 gramas pelo valor de 20 francos suíços (cerca de R$ 80), praticamente o mesmo preço de uma pizza. Uma parte substancial do preço final, no entanto, é o imposto cobrado pelo Estado. O produto tem taxa de 25%, além de IVA de outros 7%. Viveros conta que ainda precisa destinar uma parte importante da receita para pagar os custos da empresa e da compra do produto. No final, seu lucro fica em 5%.

Se o entusiasmo inicial indicava um comércio em expansão, rapidamente todos se renderam às leis do mercado. A proliferação de empresas e uma superprodução de maconha causou uma queda dos preços. Há pouco mais de um ano, um quilo de maconha com essas características custava US$ 6 mil na Suíça. Hoje, está cotado em US$ 1,5 mil.

Para as associações do setor, como a IG Hanf, a queda pode causar a falência de 20% das empresas do setor. Isso porque, se o número de empresários cresceu, o mesmo não ocorreu com os consumidores. “No início, muita gente quis provar e saber o que era o produto”, disse. Mas, sem ter o mesmo impacto da maconha tradicional, parte dos consumidores voltou ao produto original, cuja venda é ilegal. Outros simplesmente desistiram.

“São dois mercados diferentes”, explica Viveros. “Quem quer o efeito mais forte da maconha, continua comprando de forma ilegal.” Segundo ele, pelo menos por enquanto, a maconha light não diminui o consumo da versão mais forte.

Algumas empresas já deixaram de operar. Um dos desafios na Suíça é manter o cultivo em locais fechados. Com isso, os produtores fazem três colheitas anuais. No entanto, os custos fixos e os impostos acabam afetando a margem de lucro dos produtores.

O mercado saturado também criou uma situação inusitada: a Suíça passou a exportar cannabis. Itália, França e Áustria se tornaram alguns dos principais destinos do produto. Quem não se queixa é o Estado. Em 2017, as receitas fiscais criadas pelo comércio da maconha light garantiram uma entrada de 13 milhões de francos suíços (cerca de R$ 50 milhões) aos cofres públicos.