Primeira viatura que chegou já confirmou o tamanho desta colisão e o número elevado de vítimas. Foram acionados três ambulâncias do corpo de bombeiros mais a aeronave do Siate para dar atendimento a esta ocorrencia

O Japão recordou nesta quinta-feira, 6, o primeiro ataque nuclear da história, executado há 75 anos, em 6 de agosto de 1945 em Hiroshima, em um contexto particular devido à pandemia do novo coronavírus. A situação limitou as homenagens às vítimas

Sobreviventes da bomba atômica, descendentes das vítimas, o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe e alguns representantes estrangeiros acompanharam a principal cerimônia em Hiroshima, na região oeste do Japão. A maioria das pessoas usava máscara.

A pandemia do coronavírus impediu a presença dos moradores, que foram obrigados a acompanhar a cerimônia pela internet. Outros eventos foram cancelados, como a cerimônia das lanternas flutuantes de Hiroshima, que a cada 6 de agosto são colocadas na água durante a noite em memória das vítimas.

 

 

Às 8h15 (20h15 de Brasília, quarta-feira) foi realizada uma oração silenciosa para marcar o momento em que a bomba atômica explodiu no céu de Hiroshima há 75 anos. “Em 6 de agosto de 1945, uma única bomba atômica destruiu nossa cidade. Rumores da época diziam que nada cresceria aqui por 75 anos. E mesmo assim, Hiroshima se recuperou e se tornou um símbolo da paz”, disse o prefeito Kazumi Matsui.

“A pandemia de gripe de 1918, um século atrás, tirou dezenas de milhões de vidas e aterrorizou o mundo porque as nações que travavam a Primeira Guerra Mundial não conseguiram se reunir para enfrentar a ameaça juntas”, acrescentou Matsui. “O crescimento subsequente do nacionalismo levou à Segunda Guerra Mundial e às bombas atômicas. Não podemos permitir que esse passado doloroso se repita. A sociedade precisa rejeitar o nacionalismo egocêntrico e se unir contra todas as ameaças.”

Matsui fez um apelo para que o Japão ratifique o pacto da Organização das Nações Unidas de 2017 banindo armas nucleares, mas o premiê Shinzo Abe evitou qualquer referência direta, dizendo que o Japão precisa “ser uma ponte entre as nações” para abolir armas nucleares.

“Me comprometo a fazer o possível para conseguir um mundo sem armas nucleares e uma paz duradoura”, prometeu Abe, com frequência criticado por sua intenção de revisar a Constituição pacifista do Japão.

Eterno debate

A bomba “Little Boy” matou quase 140 mil pessoas na cidade portuária. Muitas vítimas morreram no ato e várias em consequência dos ferimentos ou da radiação durante as semanas e meses seguintes. Três dias depois, as forças militares dos Estados Unidos lançaram outra bomba atômica em Nagasaki em um ataque que provocou 74 mil mortes.

As duas bombas com uma potência de destruição inédita naquele momento levaram o imperador Hirohito a anunciar, em 15 de agosto de 1945, a rendição aos Aliados, o que marcou o fim da Segunda Guerra. Muitos consideram que os ataques nucleares contra Hiroshima e Nagasaki são crimes de guerra devido à devastação e à quantidade de vítimas civis.

Necessidade de ‘solidariedade’

O governo dos Estados Unidos nunca pediu desculpas oficialmente. Em 2016, Barack Obama se tornou o primeiro presidente americano em exercício a visitar Hiroshima, onde prestou homenagem às vítimas e pediu um mundo sem armas nucleares. No ano passado, o papa Francisco também visitou Hiroshima e Nagasaki para expressar sua oposição às armas atômicas, que chamou de “crime”, e criticar a doutrina da dissuasão nuclear, uma “falsa segurança” – segundo o pontífice – que envenena as relações entre os povos.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, lamentou em uma mensagem de vídeo publicada nesta quinta-feira que o objetivo de eliminar as armas atômicas, estabelecido pelas Nações Unidos em sua fundação, não tenha sido concretizado. “Hoje, um mundo sem armas nucleares parece cada vez mais distante”, afirmou.

“Seja o coronavírus ou as armas nucleares, a maneira de superar (os desafios) é a solidariedade entre os povos”, disse Keiko Ogura, uma sobrevivente de 83 anos de Hiroshima.

Quase 136.700 sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki, conhecidos como “hibakusha” no Japão, desejam passar o testemunho para as novas gerações. Com a ajuda de outros ativistas, os hibakusha criaram arquivos de memória, na forma de depoimentos, poemas ou desenhos. Apesar das iniciativas, muitos temem a perda de interesse em sua herança após a morte dos sobreviventes e a persistência da ameaça nuclear. (Com agências internacionais)