Os hipopótamos de Pablo Escobar vão receber eutanásia após aprovação do governo da Colômbia nesta segunda-feira (13). A medida tem o objetivo de conter a infestação dos animais, que passaram de quatro hipopótamos para 160 espécimes e podem chegar a mais de mil nos próximos anos.

Colagem com dois hipopótamos e a foto de detenção de Pablo Escobar, no fim da década de 1970.
Pablo Escobar levou quatro hipopótamos da África até a Colômbia em 1981. Foto: Reprodução/Domínio Público

O governo colombiano ofereceu os animais a outros países sul-americanos, que rejeitaram a proposta. Ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez revelou a recusa em coletiva de imprensa.

O silêncio administrativo revela que não há interesse em recebê-los.

afirmou.

A história dos hipopótamos de Pablo Escobar

Maior narcotraficante da história, Pablo Escobar levou quatro hipopótamos da África para a Colômbia em 1981. O chefe do crime organizado colombiano mantinha os animais em seu zoológico privado em Antioquia, entre as cidades de Medelín e Bogotá.

Estima-se que o zoológico chegou a abrigar cerca de 2 mil animais em seu auge. O local reunia espécies de girafas, zebras, elefantes, rinocerontes, leões e até mesmo cangurus.

Após a morte de Escobar, em 1993, os animais ficaram livres para circular a propriedade, o que causaria a “infestação” de hipopótamos nas décadas seguintes.

Os hipopótamos escaparam da propriedade e passaram a viver livremente nos arredores da região. A instalação do novo habitat culminou na reprodução dos animais e em ataques a moradores locais, acendendo o alerta das autoridades.

Sem essa ação [da eutanásia], é impossível controlar a população [de hipopótamos]. Estimativas indicam que, até 2030, teríamos pelo menos 500 hipopótamos afetando nosso ecossistema e nossas espécies nativas, como peixes-bois e tartarugas

complementou a ministra.

O que acontece agora?

O processo de eutanásia é a última etapa de um plano de contenção dos espécimes. Após décadas sem ações concretas, o governo de Gustavo Preto definiu, em 2024, a aceleração no processo.

Após tentativas frustradas de esterilização e polêmicas quanto à liberação de caça, o governo procurou o México e a Índia na tentativa de doar os animais. Com o “silêncio” citado por Irene, a eutanásia foi escolhida como última alternativa.

Pela responsabilidade com nossos ecossistemas, devemos tomar essa ação

confirmou a ministra.

Não há previsão exata do procedimento, que deve ocorrer a partir do segundo semestre deste ano.

Cada hipopótamo pode pesar até três toneladas e consumir 70kg de carne por dia. O impacto direto nos ecossistemas ainda se estende devido às bactérias liberadas por seus excrementos, que soltam dióxido de carbono em rios e lagos.

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