Preocupado com sua imagem na área ambiental, o governo russo abriu uma investigação criminal para apurar as responsabilidades sobre a morte de animais marinhos na costa do paraíso ecológico de Kamtchatka.

A remota região, no extremo oriente russo e a oito horas e meia de avião de Moscou, começou a ter sua costa afetada no dia 29 de setembro, quando surfistas passaram a reclamar de queimaduras na pele e nos olhos, além de mal-estar após entrar na água.

No fim de semana, uma grande mancha oleosa e amarelada foi vista em diversos pontos, a começar da baía de Avatcha, onde fica a capital regional, Petropavlovski-Kamtchatski. As praias ficaram lotadas de animais mortos, principalmente moluscos e crustáceos.

 

Kremlin é a sede do governo russo. Foto: Divulgação

 

Após uma reação morna no fim de semana, buscando minimizar o problemas, o governo acordou e buscou evitar repetir ser alvo de críticas como as que sofreu em maio, quando um vazamento de óleo contaminou rios no Ártico russo.

As lembranças da negligência criminosa dos soviéticos na reação ao desastre nuclear de Tchernóbil, em 1986, também são vivas na população.

Nesta quarta (7), chegou à região Svetlana Rodionova, a chefe da agência federal ambiental. Ela sobrevoou áreas atingidas e participou de uma reunião com o governador Vladimir Solodov e com o ministro da área, Dmitri Robilkin, esse por videoconferência.

Ela disse que “não excluímos uma origem tecnogênica”, ou seja, uma contaminação por algum movimento sísmico na região, uma das mais ativas do mundo. Os 29 vulcões em atividade simbolizam a região, assim como sua beleza natural e a fauna, como a grande população de ursos.

Mas a abertura do processo vai em outra direção. A principal suspeita de ambientalistas até aqui é a de que algum aterro de produtos químicos tenha vazado elementos em rios que deságuam na baía de Avatcha.

O repositório de pesticidas de Koslevski, com 108 toneladas de produtos selados desde 2010, está no topo da lista.

Uma inspeção encontrou falhas na sua cobertura de proteção e sinais de vazamento, e ele tem um rio a seu lado.

O Greenpeace russo recolheu a água desse curso, o Nalitcheva, para análise. Organismos como ouriços e estrelas do mar foram recolhidos em praias distantes, e são considerados uma aposta melhor para determinar que produto os matou -a água do mar e do rio se renova muito rapidamente.

Já os trabalhos do governo russo foram atrapalhados na quarta devido ao mau tempo. Mergulhadores conseguiram constatar que o problema maior é com a vida marinha fixa ou lenta, como crustáceos. Mamíferos aquáticos parecem ter sido menos afetados, e foram avistadas baleias, focas e lontras aparentando normalidade.

Um outro aterro de produtos tóxicos foi vistoriado, mas sem falhas. As autoridades não comentam a principal suspeita de alguns moradores locais, ligados ao ecoturismo: o de algum vazamento de produtos das inúmeras bases militares na região, que ficou fechada ao mundo por essa atividade quando fazia parte da União Soviética.

Por fim, além da já citada opção sísmica, há a investigação de que o caso pode ter a ver com alguma multiplicação anormal de algas, o que priva o mar de oxigênio.

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