A 17 dias da eleição, o número de novos casos de covid-19 nos EUA voltou a ultrapassar ontem a marca de 60 mil pelo segundo dia seguido, levando muitos especialistas a definir o aumento como “uma terceira onda” de infecções no país. Nas duas primeiras, em abril e julho, um crescimento de mortes foi registrado nas semanas seguintes. Se isso voltar a ocorrer, haveria uma elevação dos óbitos a poucos dias da votação.

Dessa vez, o vírus vem se espalhando por comunidades rurais dos EUA, em Estados governados por republicanos, principalmente em Montana, Idaho, Dakota do Norte e Dakota do Sul – onde a capacidade hospitalar é limitada e a população é mais velha e vulnerável. A aproximação do inverno, segundo epidemiologistas, pode piorar a situação – o clima é mais seco e o frio faz com que as pessoas convivam em ambientes fechados.

Além disso, as comunidades rurais republicanas estão menos inclinadas a seguir as orientações de saúde, incluindo o uso de máscaras e distanciamento social. A mistura de pandemia e eleição cria um efeito em cascata que mina a resposta à crise, segundo o epidemiologista William Hanage, da Universidade Harvard. “As ações para suprimir a transmissão foram mais fortes em Estados democratas e o vírus seguiu seu curso natural”, disse.

Um técnico monta kits de teste de coronavírus nas instalações de fabricação da Evolve, onde fabricarão ventiladores, em Fremont, Califórnia, EUA, em 26 de março de 2020. Foto tirada em 26 de março de 2020.

A marca de 60 mil novos casos por dia é a mais alta desde agosto No momento, 44 dos 50 Estados e a capital Washington registram crescimento de infecções. Mais de 36 mil pessoas estão hospitalizadas com covid em todo o país. Alguns hospitais do Meio-Oeste e de Estados do norte dos EUA estão ficando sem leitos.

A primeira onda do vírus devastou o Nordeste americano, principalmente os Estados de Nova York e New Jersey. Foi quando os Estados Unidos registraram mais mortes. A segunda onda afetou o Cinturão do Sol: Texas, Flórida e Arizona. Apesar de registrar duas vezes mais casos por dia, em média, o segundo pico teve metade das mortes diárias.

Segundo especialistas, isso reflete a melhoria do atendimento, do tratamento e o fato de que mais pessoas estão sendo testadas, principalmente jovens e assintomáticos.

“Inevitavelmente, estamos entrando em uma fase em que haverá necessidade de novas restrições”, disse David Rubin, diretor do PolicyLab do Hospital Infantil da Filadélfia. Seja como for, a mensagem dos especialistas é enfática: o vírus não está desaparecendo magicamente, como defende o presidente Donald Trump.

Robert Redfield, diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), disse que o feriado de Ação de Graças pode aumentar as taxas de transmissão viral, de acordo com gravação obtida pela CNN. “O que estamos vendo como uma ameaça crescente agora é a contaminação por meio de pequenas reuniões familiares ”

Entre os que adotam cautela está Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas. Em entrevista à CBS News, ele pediu para que as pessoas evitem reuniões no feriado. “É lamentável, porque é uma tradição americana”, disse. “Mas devemos abrir mão da reunião social neste ano.” (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.