Uma coalizão de milícias tenta derrubar o governo da República Centro-Africana antes das eleições deste domingo (27). Em meio a esse cenário, a ONU anunciou neste sábado (26) que três militares de sua força de paz enviada ao país foram assassinados por combatentes não identificados. As vítimas eram do Burundi.

Com isso, o país africano vive um cenário próximo ao de uma guerra civil. As milícias passaram a fazer ataques depois que a Justiça barrou a candidatura do ex-presidente François Bozize, que disputaria com o atual presidente, Faustin-Archange Touadera, o qual busca a reeleição.

Touadera recebeu apoio militar de França, Ruanda e Rússia, que enviaram tropas e equipamentos.

Com 5 milhões de habitantes, a República Centro-Africana é um país rico em diamantes, madeira e ouro. Desde sua independência da França, em 1960, houve cinco golpes de estado e várias rebeliões contra o governo.

A insegurança aumentou depois que o então presidente Bozize foi derrubado por uma rebelião, em 2013. Ele tentou se candidatar para as eleições deste ano, mas foi barrado pela Justiça, por não ter uma boa reputação. O ex-presidente foi alvo de mandados de prisão e de sanções da ONU, pelas acusações de ordenar assassinatos, torturas e outros crimes enquanto ele estava no poder.

A ONU também acusa Bozize de colaborar com um grupo de milícias que querem impedir a realização das eleições. Ele se diz inocente.

O presidente Touadera diz que Bozize tenta dar um golpe de Estado. Depois que a Justiça rejeitou a candidatura do ex-mandatário, milícias armadas passaram a fazer ataques, na semana passada. Os combatentes conseguiram o obter o controle da quarta maior cidade do país, mas recuaram e adotaram um cessar-fogo unilateral, de três dias.

Eles pediram o adiamento das eleições, o que foi negado.

Na sexta (25), os rebeldes suspenderam o cessar-fogo e voltaram a fazer ataques. No mesmo dia, houve relatos de militares que desertaram do Exército para se juntarem aos rebeldes.

Os combates recomeçaram em Bakuma, a 250 km da capital Bangui, segundo Vladimir Monteiro, porta-voz da Minusca (Missão das Nações Unidas na República Centro-Africana). Com isso, há dúvidas sobre a viabilidade de realizar a votação e sobre o que poderá acontecer após a divulgação dos resultados.