
A invasão russa da Ucrânia fez com que os preços dos combustíveis e dos alimentos disparassem em vários países do mundo. No Fórum Económico Mundial, a presidente da Aliança para uma Revolução Verde em África (AGRA), Agnes Kalibata, disse à DW Brasil, que essa escassez nos alimentos chega em um momento delicado pós-covid. No entanto, a crise também pode ser encarada como oportunidade.
Agnes destaca que esse “outro lado da moeda” pode servir para países como Moçambique. Com a guerra, a África pode ter a oportunidade de exportar cereais de outros lugares que não sejam da Ucrânia e nem da Rússia. “Países africanos produzem trigo. Veja a Etiópia, Quênia, estão a produzir milhões de toneladas de milho. Embora a produção ainda seja pequena será que podemos dar um passo a frente?”.

Moçambique e Malawi produzem sementes oleaginosas que poderiam ser transportadas para outros lugares, segundo Agnes.
“Essa é uma oportunidade para a África avançar estas indústrias. Reduzir a pobreza e lidar com o desafio da segurança alimentar. Portanto, sim, talvez haja outras fontes, mesmo o Brasil, e muitos outros lugares, mas a África tem de avaliar o que pode fazer”
Crise climática
Desde 2014, ela afirma que a África sofre com uma crise climática que tem atrapalhado a colheita nos campos. Com isso, é um momento difícil para os países africanos. “É como se tivessem ficado fora do jogo. Os países estão mais endividados por causa da Covid-19, 125 milhões de pessoas passam fome a nível mundial”, diz.
Do total de pessoas que passam fome no mundo, a estimativa é de 30% esteja na África. Além disso, 100 milhões de pessoas estão com risco de fome no país. “Isso pode ser realmente grave”, destaca Agnes sobre a crise.
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