Um estudo publicado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos acrescentou mais uma grande interrogação à real origem da pandemia de covid-19.

O ponto de partida da cronologia oficial ocorreu em 31 de dezembro de 2019, quando o órgão de saúde da cidade chinesa de Wuhan emitiu um alerta sobre uma série de casos associados a um misterioso vírus respiratório. O ponto em comum era um mercado municipal que vendia animais silvestres vivos e mortos.

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Agora, quase um ano depois, pesquisadores ligados ao governo americano identificaram retroativamente que 39 pessoas de três Estados do país já tinham desenvolvido anticorpos contra coronavírus duas semanas antes do alerta na China. Os EUA, inclusive, só identificaram oficialmente o primeiro caso no país em 21 de janeiro de 2020.

O estudo se baseou em amostras de sangue de doações feitas entre 13 de dezembro de 2019 e 17 de janeiro de 2020. As 7.389 amostras analisadas foram coletadas de modo rotineiro em doações organizadas pela entidade não governamental Cruz Vermelha em nove Estados americanos.

Das 1.912 amostras de doações feitas entre 13 e 16 de dezembro passado, 39 deram positivo (26 na Califórnia e 16 do Oregon ou de Washington)

Outras 67 amostras que continham o vírus foram identificadas entre 30 de dezembro de 2019 e 17 de janeiro de 2020. A idade média dessas pessoas infectadas é 52 anos e a maioria era homem.

Para os autores do estudo, parte desses anticorpos identificados devem estar ligados a outros tipos de coronavírus que circulam pelo mundo, mas o alto número de pessoas encontradas com esses anticorpos na análise aponta que outra parte muito provavelmente estava com covid-19 naquela época.

Mas de que maneira isso muda o que sabemos sobre a origem da pandemia?

Quando surgiu o novo coronavírus?

Essa pergunta não tem resposta exata, e talvez nunca tenha.

O que se sabe até agora é que o primeiro grande surto surgiu em Wuhan dezembro de 2019, mas diversos indícios apontam que o vírus já circulava pelo mundo semanas ou meses antes.

Os autores do estudo que identificou anticorpos contra o novo coronavírus em dezenas de pessoas nos EUA afirmam que essa descoberta tem algumas limitações, entre elas determinar se as pessoas se infectaram de modo comunitário (no país) ou por meio de viagens.

Uma pista está num levantamento feito anteriormente pela própria Cruz Vermelha com seus doadores para entender o perfil deles. Do total, 3% diziam ter viajado para fora do país no mês anterior à doação, e apenas 5% desses 3% afirmaram que origem da viagem era a Ásia.

Essa descoberta não é a primeira (e provavelmente não será a última) que aponta a presença do vírus antes do alerta oficial na China.

Pesquisadores de pelo menos quatro países, incluindo o Brasil, apontaram a presença do novo coronavírus em amostras de esgoto coletadas semanas ou meses do surto na China.

O estudo que mais chamou a atenção foi liderado por pesquisadores da Universidade de Barcelona. Segundo eles, havia presença do novo coronavírus em amostras congeladas — coletadas na Espanha — de 15 de janeiro de 2020 (41 dias antes da primeira notificação oficial no país) e de 12 de março de 2019 (nove meses antes do primeiro caso reportado na China).

Mas não está claro ainda como e quando o vírus Sars-CoV-2 passou a infectar a espécie humana. E nem de que animal o vírus “pulou” para os humanos.

Há consenso entre cientistas de que o primeiro surto ocorreu em um mercado de Wuhan que vendia animais selvagens vivos e mortos. Mas pesquisadores não sabem se o vírus surgiu ali ou “se aproveitou” da aglomeração para se espalhar de uma pessoa para outra.

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