Um paciente com idade avançada que chega ao hospital com covid-19, doenças crônicas como hipertensão e diabetes, além de sinais de sepse (inflamação sistêmica do organismo contra uma infecção) deve acender um alerta pois, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (9), estes são traços de um perfil mais vulnerável à morte pela nova doença.

(Foto: EBC)

 

Os autores do artigo no periódico médico Lancet dizem que se trata do primeiro estudo a mapear a evolução do quadro de pacientes infectados pelo vírus Sars-Cov-2 que ou faleceram ou receberam alta do hospital.

Foram considerados quadros de 191 pacientes do Hospital Jinyintan e Hospital do Pulmão de Wuhan internados entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020. Destes, 137 receberam alta e 54 morreram nos hospitais, considerados referência para o tratamento do novo coronavírus.

Os autores do estudo alertam que seus resultados dizem respeito à amostra de Wuhan, portanto não podem ser automaticamente generalizados para outras partes do mundo.

Os pesquisadores, filiados a instituições chinesas, buscaram juntar os pontos do início, percurso e desfecho da doença nessas pessoas. Para isso, usaram informações de prontuários, exames e dados demográficos. Em seguida, construíram modelos matemáticos para identificar os fatores de risco que levaram à morte.

Uma das conclusões é a de que, como vêm mostrando outras pesquisas, a idade avançada é um fator de risco para a covid-19. Comparados com aqueles que sobreviveram, pacientes que morreram eram, em geral, mais velhos — em média 69 anos em comparação com a média de 52 entre os que sobreviveram.

“Desfechos piores em idosos podem ser explicados, em parte, pelo enfraquecimento do sistema imunológico relacionado à idade.

Uma inflamação maior pode favorecer a replicação do vírus e respostas mais prolongadas à inflamação, causando danos permanentes ao coração, cérebro e outros órgãos”, explicou em um comunicado à imprensa Zhibo Liu, um dos autores da publicação e membro da equipe do Hospital Jinyintan.

Dos 191 pacientes analisados, cerca de metade (48%) tinha doenças crônicas — a mais comum, hipertensão (30% da amostra) e diabetes (19%). Após cálculos matemáticos, os autores consideram que estas comorbidades são também fator de risco para casos mais graves da covid-19.

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