POR GIULIANA MIRANDA – LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS)

Supermercado abrindo às 6h30, visita ao museu às 10h, sessão de cinema às 11h e almoços de aniversário às 12h.

O novo toque de recolher, que vai das 13h às 5h aos sábados e domingos, provocou uma avalanche de mudanças nos horários dos portugueses, que se veem obrigados a adiantar -e muito- os horários de suas atividades no fim de semana.

As novas restrições à liberdade de circulação começaram na última segunda-feira (9), quando voltou a vigorar o Estado de Emergência no país. Como forma de conter a disseminação do novo coronavírus, o governo estabeleceu um toque de recolher das 23h às 5h de segunda a sexta-feira.

 

Portugal decreta estado de calamidade e aperta restrições contra a Covid. Foto: Governo de Portugal/Divulgação

 

Nos fins de semana, justamente para evitar interações sociais entre famílias e grupos de amigos, o confinamento fica ainda mais restritivo, valendo das 13h às 5h.

Cerca de 70% da população do país está sujeita às medidas, que afetam os 121 concelhos com taxas de contaminação elevadas.

“Não foi por acaso que escolhemos as 13h, porque temos precisamente em conta aquilo que todos os inquéritos epidemiológicos nos dizem: 68% das transmissões estão a ocorrer, neste momento, em momentos de convívio familiar e social”, afirmou o primeiro-ministro, António Costa.

A decisão pegou muitos portugueses de surpresa, uma vez que, na primeira onda da pandemia, o governo não havia adotado este tipo de medida.

Principais afetados pela decisão, os setores de comércio, de serviços, de cultura e de restaurantes tentam se adaptar como podem. A maioria optou por abrir as portas mais cedo, em uma tentativa de cativar o público disposto a madrugar.

Em Lisboa, por exemplo, a maior parte dos museus e monumentos nacionais terá entrada gratuita como forma de atrair os visitantes mesmo em circunstâncias tão excepcionais.

Embora várias sessões tenham sido canceladas ou adiadas, festivais culturais, cinemas e teatros anunciaram uma programação supermatutina.

Os restaurantes, por sua vez, tentam migrar para os serviços de encomenda e de delivery.

Apesar dos esforços, o impacto do toque de recolher deve ser profundo no setor. Por todo o país, há protestos marcados no fim de semana.

O governo já anunciou u fundo para apoiar o setor, mas ainda não foram divulgados mais detalhes.

Algumas câmaras municipais (equivalentes às prefeituras) também têm tentado seus próprios meios de apoio. Em Lisboa, por exemplo, haverá uma linha de apoio para pequenos e médios empreendimentos.