Com mais de 280 mil casos e 7,4 mil mortos, os EUA são hoje o epicentro do coronavírus no mundo. Os números não param de subir e a cada dia as autoridades ampliam as restrições e o isolamento social para tentar conter a transmissibilidade. Lá, cada estado tem uma grande autonomia sobre adotar ou não as recomendações do governo federal. Nem todos os estados, por exemplo, estão adotando como obrigatório o isolamento social. Mas a maioria está.

A Carolina do Norte é um dos estados que endureceram as medidas de contenção da população. A curitibana Sandra Melo Clark, 47, que vive nos EUA há 19 anos e tem dupla cidadania, está em isolamento social há duas semanas com o marido e os três filhos. Eles vivem na cidade de Greensboro, que registrava 92 casos da doença e quatro mortes até esta sexta-feira (3). No estado, são 2,4 mil casos e 28 mortes.

Sandra trabalha em uma multinacional, assim como o marido. Os dois estão trabalhando de casa. Ela contou à Banda B, alguns pontos da rotina na cidade:

Sandra com o marido John e os filhos Rodrigo, Isabella e André – Arquivo pessoal

Abordagem policial

“Apenas serviços essenciais estão autorizados a manter funcionários nos locais de trabalho. Eu e meu marido, que trabalhamos em uma multinacional, somos obrigados a trabalharmos de casa. Um amigo, que atua em uma área essencial, foi parado pela polícia e teve que mostrar uma carta da empresa o autorizando a estar nas ruas a caminho do trabalho. Se você estiver na rua sem um motivo justificável, como supermercado, farmácia ou hospital, correrá o risco de ser preso e pagar multa”.

Venda de armas

“Sou brasileira e não consigo entender esta necessidade que o americano tem de ter arma em casa. Aqui eles compram armas com muita facilidade. Basta que se sintam ameaçados que há o direito de comprar arma até em supermercado. Com a pandemia, houve um aumento de 41% na venda de armamentos. A única coisa que posso entender é que o medo de que algo mais sério aconteça motiva o americano a se armar. Particularmente, acho difícil entender esta lógica”.

Estoque de comida

“Americano normalmente compra muito e sempre tem estoque de alimento em casa, mas assim que o isolamento começou, há pouco mais de duas semanas, a corrida aos supermercados foi absurda. Muitas prateleiras ficaram vazias. Faltavam vários produtos, como papel higiênico por exemplo. Mas agora a situação aprece estar se normalizando em relação ao abastecimento. Já não vemos prateleiras vazias e as compras online voltaram a ser entregues como antes”.

Estudos

“Aqui nos EUA o ano letivo termina em maio, por isso, a maioria já entende que as aulas não serão retomadas. O que deve acontecer é o ano letivo terminar com avaliações online e as aulas voltarem só em agosto. Tenho um filho na faculdade e outro na high school. Os dois estão tendo muitas atividades com aulas online ao vivo e gravadas. O ritmo está muito intenso, com vários trabalhos para a conclusão do ano. Passam o dia estudando. Já a minha filha, que tem 6 anos, também estuda de casa, mas num ritmo menor. A professora sou eu. Confesso que não é fácil, o que só faz a gente dar ainda mais valor aos professores”.

Sala virou home office – Arquivo pessoal

Home office

“Eu e meu marido fizemos um escritório em casa para trabalharmos, mas é preciso muita disciplina. Minha filha pede atenção a todo momento e os serviços da casa não têm fim. Fizemos um cronograma de tarefas para todos ajudarem. Também saímos para correr ou andar de bicicleta, mas só dentro do condomínio que moramos”.

Tudo vai passar

“Claro que o medo toma conta algumas vezes. Os números são assustadores. Mas temos a certeza de que tudo vai passar e que termos muita história para contarmos aos nossos netos. Temos que ser fortes, escutarmos os médicos e autoridades e encararmos tudo isso. Nossa expectativa aqui é de que tudo comece a voltar ao normal a partir da segunda quinzena de maio ou junho. Mas confesso que  não sei se essa previsão é otimista demais”.

Distância

“Uma das coisas mais difíceis pra mim é a distância da família. Meus pais têm mais de 70 anos e me preocupo demais. Por outro lado, não inventaram nada melhor que o grupo da família no whatsapp. Trocamos fotos, medos, piadas e informações. Sei que estamos mais perto do que nunca, mesmo distantes”.

Pandemia

Os Estados Unidos registraram nesta sexta-feira (3) 1.480 mortos pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), aumentando o número total de óbitos para 7.406. Os dados marcam um novo recorde no mundo, de acordo com a contagem da Universidade Johns Hopkins. A nova quantidade representa um crescimento em relação ao balanço do dia anterior, quando as mortes contabilizadas no território americano também atingiram uma marca inédita, com 1.169 mortes em apenas um dia.

Até então, o pico anterior havia sido atingido no dia 27 de março, na Itália, onde 969 vítimas perderam a vida. O país europeu é a nação com o maior número de óbitos em decorrência da Covid-19, com 14.681. Na sequência aparece a Espanha, com 11.198. De acordo com os dados, Nova York teve a maior quantidade de mortes. Ao todo, a cidade registrou 1.867. Além disso, os Estados Unidos somam 278.458 casos confirmados da doença, conforme publicado pela Universidade.