Os bombeiros militares do Paraná entraram na fase mais crítica da missão de busca e resgate das vítimas dos terremotos na Venezuela. Resta apenas um dia da chamada janela de resgate, período considerado o mais favorável para encontrar sobreviventes após os abalos que atingiram o país. Equipes trabalham para alcançar um possível sobrevivente sob os escombros de um edifício de oito andares que desabou em La Guaira, uma das regiões mais afetadas pela tragédia.
Os militares do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) integram a força-tarefa brasileira coordenada pelo Ministério das Relações Exteriores, por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), e atuam em conjunto com equipes de São Paulo, Minas Gerais, Equador e Inglaterra.

A operação ganhou força na quarta-feira (1º), quando os socorristas detectaram sinais compatíveis com a presença de uma pessoa com vida sob os escombros do prédio. Desde então, os trabalhos seguem de forma ininterrupta.
O número de mortos em decorrência dos terremotos na Venezuela subiu para 2.595 nesta quinta-feira (2). De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 26 mil pessoas foram afetadas pelo fenômeno. Pelo menos 11 mil delas ficaram feridas. Estima-se que outras milhares de pessoas estejam sob os escombros.
“Na data de ontem, as nossas equipes detectaram vida no subsolo desse edifício que foi totalmente destruído. Já foram removidos alguns corpos aqui, mas foi detectada vida tanto pela nossa equipe quanto pelas equipes do Equador e da Inglaterra. Esse trabalho começou na tarde de ontem, durou toda a noite, hoje o dia inteiro e deve continuar amanhã”, relatou em vídeo enviado ao comando do CBMPR, em Curitiba, o líder da equipe paranaense na missão, tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert.
Corrida contra o tempo
As próximas horas são consideradas decisivas. Conforme os protocolos internacionais usados em operações de resposta a terremotos, os primeiros dez dias após o desabamento de edificações concentram as maiores chances de localizar pessoas com vida. Depois desse período, as possibilidades diminuem devido à desidratação, à falta de alimentos e ao agravamento das condições sob os escombros. Apesar das dificuldades, as equipes mantêm a esperança após novos resgates registrados nos últimos dias.
“A maior parte das vítimas superficiais já foi retirada. Nesse momento é muito difícil encontrar pessoas com vida, mas elas ainda estão sendo encontradas. Ontem foram localizadas mais duas vítimas com vida e nós seguimos nessa corrida. Até completar dez dias do terremoto, vamos trabalhar com esforço máximo para tentar localizar pessoas que ainda estejam sob os escombros e retirá-las com vida”, afirmou o tenente-coronel Gabriel.
Força-tarefa brasileira
A missão brasileira foi mobilizada poucas horas após os terremotos. O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná enviou dez bombeiros, dois cães de busca e cerca de quatro toneladas de equipamentos especializados.
As equipes partiram de Curitiba e Guarapuava, seguiram para a Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos, e embarcaram na sexta-feira (26), em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), com destino à Venezuela.
Após a chegada ao país, os bombeiros instalaram a base operacional e iniciaram as buscas em campo na manhã de sábado (27). Desde então, permanecem atuando continuamente nas operações de busca e resgate em estruturas colapsadas ao lado de equipes brasileiras e de outros países mobilizados para responder aos efeitos do terremoto.
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