Para a maioria das pessoas, dormir é um luxo, algo que você faz em uma manhã de domingo, enroscado na coberta sem a pressão do despertador tocar.

Mas, no meu caso, o sono se tornou meu inimigo.

Minha vida é bem comum: sou personal trainer em Amsterdã, onde divido apartamento com meu namorado e dois colegas. Amo malhar, fazer compras com minhas amigas e sair para jantar. As coisas de sempre. Mas também não consigo evitar pegar no sono.

(Foto: BBC Trhe)

 

Tenho narcolepsia, o que significa que basicamente eu não tenho um relógio biológico. Como resultado, preciso dormir cerca de oito ou nove vezes por dia.

Às vezes, são cochilos curtos que duram cerca de 10 segundos mais ou menos enquanto estou sentada, e nem sequer percebo que adormeci.

Outras vezes, tenho cataplexia, o que significa que todo o meu corpo entra em colapso, meus joelhos tremem, minha cabeça fica pesada — e é como se o sol brilhasse diretamente nos meus olhos. Quando isso acontece, simplesmente não consigo ficar acordada.

E, à noite, quando finalmente quero dormir, não consigo.

Quando as pessoas ouvem que sou narcoléptica, elas me dizem que “também ficam cansadas” ou “gostam de tirar sonecas” — e acham que também são. Mas não é o mesmo que estar cansado. Todo mundo fica cansado. É outro nível.

Para começar, minha narcolepsia não só me faz adormecer — também pode me levar a fazer coisas bem estranhas.

Se estou jantando e começo a ter um ataque de sono, de repente começo a dizer ou a fazer coisas totalmente aleatórias, como tirar minha comida do prato e colocá-la na mesa, ou falar coisas para meu namorado, Maikel, do tipo: “Meu cachorro pulou da janela”.

Obviamente, não haveria problema se meu cachorro tivesse realmente pulado da janela ou se isso tivesse algo a ver com a conversa, mas simplesmente sai da minha boca. É quase como falar dormindo, mas estou meio que acordada.

Apresentei sintomas de narcolepsia pela primeira vez quando tinha 15 ano, fui uma das poucas pessoas que tiveram o azar de desenvolver a condição depois de tomar a vacina contra gripe suína (H1N1).

Em 2010, durante o surto da doença, quem corria o risco de ser infectado tomou uma vacina chamada Pandemrix.

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