Em meio à onda de protestos no Chile, o presidente Sebastián Piñera anunciou neste sábado (26), em comunicado na sede da presidência, em Santiago, ter pedido a todos os seus ministros que renunciem a seus respectivos cargos, para que um novo gabinete seja formado.

SANTIAGO, CHILE, 25.10.2019 – CHILE-PROTESTOS – Mais um dia de protestos violentos em Santiago, capital do Chile, nesta sexta-feira (25). A manifestação, que reuniu cerca de 1 milhão de pessoas contra o governo Piñera, lotou a Praza Itália. Militares armados e policiais do choque entraram em confronto com manifestantes no centro da cidade. (Foto: Carlos Ezequiel Vannoni/Agência Pixel Press/Folhapress)

Em seu discurso no palácio La Moneda, transmitido pelas redes sociais, o mandatário chileno ainda afirmou que poderá encerrar neste domingo (27) o estado de emergência decretado na madrugada do sábado anterior (19), conforme os protestos no país se radicalizaram. O toque de recolher no país foi suspenso.Os a

tos tiveram início devido a um aumento de 3,75% no valor da tarifa de metrô. Piñera tentou voltar atrás e cancelar o reajuste, mas a medida não conteve os protestos, que ganharam novas reivindicações, com críticas ao sistema de aposentadoria, ao aumento da desigualdade e à falta de serviços públicos.

As manifestações chegaram ao oitavo dia nesta sexta-feira (25), em ato com mais de 1,2 milhão de pessoas na praça Itália, próxima ao palácio presidencial. A marcha foi elogiada por Piñera em seu comunicado, que a classificou como “muito alegre e pacífica”.

O presidente chileno afirmou que irá apresentar ao Congresso medidas que, segundo ele, atendem à agenda social, com melhorias nas aposentadorias e estabilização do preço de serviços básicos. Ele ainda pediu um esforço conjunto da sociedade para que o país volte à normalidade.

Episódio social mais grave do Chile em 30 anos, desde o final da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), a onda de protestos deixou ao menos 18 mortos e 6.000 detidos.