Por Marina Sequinel

A União dos Taxistas de Curitiba (UTC) lamentou a confusão com os motoristas do aplicativo Uber e argumentou que isso só aconteceu devido à falta de atenção da prefeitura. Para o conselheiro da UTC, Rogério Felix, o poder público não oferece o suporte necessário para o serviço de táxi na cidade.
Do outro lado, a gestão municipal afirma que o Uber não é regulamentado, o que caracteriza a atividade como irregular. Por isso, as autoridades realizam fiscalizações no trânsito para evitar esse tipo de transporte de passageiros (Confira a nota na íntegra logo abaixo da reportagem).
O conselheiro, no entanto, não acredita que a administração faz o melhor que pode. “Nós até já realizamos uma reunião com o comando-geral da Polícia Militar e com o Departamento de Trânsito, para tentar evitar o que aconteceu ontem. Esses casos foram frequentes em outras cidades e certamente chegaria o momento em que a paciência do trabalhador se esgotaria aqui também. Claro que o erro do transporte clandestino não dá direito ao taxista de partir para a violência”, comentou Felix em entrevista à Banda B na tarde deste sábado (25).
Segundo ele, a UTC pede que a prefeitura tome medidas para acabar com essa guerra. “Enquanto não houver regulamentação, o Uber não pode funcionar em Curitiba. Nós não somos contra a concorrência ou a modernidade, mas queremos um transporte responsável, não algo sem controle nenhum, que prejudica todo o sistema”, completou o conselheiro.
Felix ainda explicou que esses episódios são causados devido aos ânimos exaltados de ambos os lados. “Na grande mídia, somos tachados de bandidos, como se estivéssemos nos juntando em gangues para bater em motoristas do aplicativo. Isso não está acontecendo, nós estamos sendo provocados. Ontem, por exemplo, eu só vi vídeos de motoristas do Uber atropelando os taxistas e não o contrário”.
O conselheiro ainda lembrou que, em caso de indisciplina, existem sanções que podem ser aplicadas ao taxista pela UTC. “Inclusive, qualquer pessoa que presenciar uma cena de confusão, de qualquer lado, pode entrar em contato direto com a prefeitura pelo número 156 ou com a Urbs. Infelizmente, no entanto, episódios de violência podem acontecer de novo se o transporte clandestino continuar atuando na cidade”, finalizou.
Nota da prefeitura
Leia abaixo, na íntegra, a nota da prefeitura enviada à imprensa sobre o caso:
Sobre a confusão envolvendo motoristas na noite desta sexta-feira (24), as situações de agressão e ameaça são ocorrências policiais e devem ser atendidas pela Polícia Militar e apuradas pela Polícia Civil. Com relação aos taxistas envolvidos no episódio, os motoristas podem ser denunciados pela conduta diretamente na Urbs e estão sujeitos às sanções previstas nos contratos, caso seja constatada conduta inadequada. Entre as punições está a perda da autorização para circular. Já em relação à atuação do Uber na capital, o transporte de passageiros por motoristas que atendem pelo aplicatico não está regulamentado em Curitiba e é, portanto, uma atividade irregular. As denúncias que chegam à Urbs e Setran são alvo de fiscalização e os motoristas estão sujeitos às sanções previstas no Código de Transito Brasileiro. A Setran, Urbs, BPTRAN e Guarda Municipal já fizeram 75 ações integradas para fiscalizar serviço irregular de transporte de passageiros em Curitiba. Foram abordados 370 veículos e 46 motoristas vinculados ao aplicativo Uber foram autuados.
Uber
Sobre o caso, o Uber informou que considera inaceitável o uso de violência e declarou que mais de 70 Boletins de Ocorrência foram registrados relacionados à agressões e constrangimentos públicos desde que o aplicativo começou a atuar na cidade. Além disso, os motoristas que se envolvem em brigas e têm atitudes violentas são desligados das atividades.
Ainda de acordo com a empresa, no Brasil, o serviço de transporte individual está previsto em lei e, por isso, é considerado legal.
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