A equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC/UFPR) encontrou, nesta quinta-feira (8), nas praias de Pontal do Paraná, várias carcaças de tartarugas marinhas mutiladas. Os animais recolhidos foram encaminhados para análise veterinária, onde foi confirmado o corte intencional para a retirada da carapaça, bem como da musculatura associada.

(Foto: LEC-UFPR)

O texto divulgado na página no Facebook do laboratório explica que a prática é considerada crime e é responsável pela inserção das tartarugas marinhas em diversas listas de espécies ameaçadas de extinção. “Esta situação preocupou toda a equipe e os órgãos ambientais pela situação de maus-tratos ao animal e pelo crime associado a estas práticas. O impacto devido à mortalidade e exploração de partes das tartarugas marinhas por atividades humanas, assim como a degradação do habitat destes animais, são responsáveis pela inserção das tartarugas marinhas em diversas listas estaduais, nacionais e internacionais de fauna ameaçada de extinção”, contou o texto.

O laboratório também esclareceu que muitas vezes as tartarugas que são capturadas em redes de pesca desmaiam e, apesar de acharmos que estão mortas, elas não estão. O procedimento simples de deixá-las descansar e auxiliá-las a expelir a água seria suficiente para salvá-las. No entanto, se as pessoas acharem que o animal está morto, a mutilação poderia ter ocorrido com o animal ainda vivo.

Crime

Fazer uso de recursos/partes (carne e carapaça) de espécies ameaçadas de extinção, mesmo de indivíduos mortos, infringe leis federais de proteção à fauna. A caça e consumo de ovos, carne e produtos derivados foi o principal impacto sobre as populações de tartarugas marinhas durante muitos anos culminando no declínio drástico das populações mundiais.

Para algumas espécies, o comércio de produtos derivados da carapaça ainda é a principal ameaça às populações. No Brasil, a lei de crimes ambientais número 9.605 proíbe a captura, morte, coleta de ovos e molestamento de fauna silvestre.

São previstas multas e pena de prisão para quem infringir a lei. No caso das tartarugas seria cabível uma multa de R$ 5 mil por animal/carapaça coletada.

As carcaças de tartarugas apreendidas nesta quinta-feira foram encontradas durante as atividades do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). Caso alguém aviste uma tartaruga, golfinho ou ave marinha morta ou debilitada, entre em contato com a equipe da LEC/UFPR através do telefone: 0800 642 3341.