Por Felipe Ribeiro e Juliano Cunha

O presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e região metropolitana (Sindimoc), Anderson Teixeira, repudiou na tarde desta quinta-feira (26) as declarações da Urbs e do sindicato das empresas (Setransp) de que a greve dos cobradores seria ilegal. De acordo com ele, duas decisões liminares mostram que a justiça negou por duas vezes os pedidos dos patrões e confirmou a legitimidade do movimento.

Foto: Juliano Cunha - Banda BFoto: Juliano Cunha – Banda B

“Temos todos os amparos jurídicos para manter o movimento e os trabalhadores lamentam essas notas da Urbs e da Setransp. Há mais de 20 anos temos trabalhadores em situação análoga escrava nas estações tubo e nada é feito. Não queríamos uma nota de repúdio e sim uma proposta a ser avaliada”, afirmou.

Segundo Teixeira, o objetivo dos trabalhadores não é prejudicar a população e sim exigir os seus direitos. “Queremos dignidade e respeito, que falta hoje no transporte coletivo de Curitiba. Neste momento 100% da frota está rodando por parte dos trabalhadores e cobradores que não quiseram aderir a greve também exercem suas funções normalmente”, comentou.

Sem acordo

Ontem, não houve acordo na reunião no Tribunal regional do trabalho entre Sindimoc, Urbs, Comec e empresas do setor. Ficou acertada uma nova reunião para sexta-feira (27), porém, com a deflagração da greve, este encontro poderá ser antecipado.

A audiência desta quarta-feira, 25, trouxe à tona diversos pontos da pauta de reivindicações dos trabalhadores, a exemplo da devolução dos valores descontados pelos dias de paralisação na última greve, o fim do assédio moral caracterizado pelas ameaças de punições, o uso de bermudas em dias quentes, a interrupção do desconto dos salários em razão da raspagem de pneus em calçadas, a concessão de vale-cultura e passes livres, a consulta aos trabalhadores nas alterações das escalas de trabalho, a concessão de um kit inverno (peças de vestuário para suportar as baixas temperaturas) e a adoção de medidas para minimizar as más condições de trabalho nas estações-tubo, entre outras solicitações.

Em relação às estações-tubo, alvos de frequentes reclamações, ficou decidido que a Urbanização de Curitiba (URBS) juntará ao processo, em 10 dias, um cronograma de trabalho para implantação de mantas térmicas nos tetos das estações e de banheiros químicos para uso dos trabalhadores, além da apresentação de projeto de estações-modelo, dotadas de estrutura capaz de garantir condições dignas de trabalho aos cobradores durante suas jornadas. A URBS se comprometeu ainda a reparar, no prazo de 60 dias, todas as estações que estão sem as portas ou com as mesmas danificadas.

Outro ponto de discussão foi a possibilidade de criação de uma comissão de trabalhadores, com indicação de representantes sindicais, para acompanhar os processos de aplicação de punição disciplinar pelas empresas de transporte.

A desembargadora Ana Carolina Zaina apresentou proposta inicial de conciliação contemplando toda a pauta de reivindicações dos motoristas e cobradores. Entre as sugestões apresentadas pelo Juízo estão a devolução dos valores indevidamente descontados em razão dos dias de paralisação da greve anterior, a necessidade de comunicação ao sindicato e a concessão de prazo para defesa quando houver punição aos trabalhadores, a criação de comissão com representação sindical para avaliar as questões de assédio moral e o não desconto nos salários de valores de multas aplicadas pela URBS e daqueles relacionados à raspagem de pneus em calçadas.