A pandemia de covid-19 mudou a rotina das pessoas e, com isso, as festas de fim de ano serão diferentes daquilo que se está acostumado a ter. Sem abraços nem beijos, com limite de convidados e com uso de máscaras e distanciamento social, essas são apenas algumas das orientações das autoridades de saúde. A Banda B ouviu, nesta quarta-feira (23), o infectologista e vice presidente da Sociedade Paranaense de Infectologia, Dr Jaime Rocha, e a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde (Sesa), Acácia Nasr, sobre como aproveitar o Natal e o Ano Novo com segurança.

Segundo Nasr, a celebração pode contar com no máximo 10 pessoas e não deve reunir moradores de outras casas. “Não junte pessoas que residem em casas diferentes e se for fazer isso que seja por um período menor. Combine com as pessoas sobre o uso de máscaras, de manter o distanciamento físico de 1,5 metros, além de manter os ambientes ventilados com as janelas abertas”, orienta a coordenadora da Sesa.

Se possível, ela também recomenda que os jantares e almoços sejam feitos em lugares abertos, que os talheres não sejam compartilhados e que cada um providencie um saquinho plástico para guardar sua máscara. Beijos e abraços também estão proibidos e a qualquer sinal de contágio pela Covid-19 o isolamento deve ser a conduta escolhida.

“Proteja as pessoas com mais de 60 anos ou com algum fator de risco para adoecer. Lembre-se que o decreto estadual ainda está vigente, então não pode circular das 23h às 5h da manhã. Se tiver que se deslocar, faça isso antes desse horário”, completou Nasr.

Infectologista

De acordo com Rocha, a Covid-19 foi a responsável por sobrecarregar o sistema de Saúde no Brasil. A tendência é que a partir do mês de janeiro, haja um aumento significativo no número de casos graves de Covid-19.

UTI COVID – Hospital Trabalhador em Curitiba – Foto: Geraldo Bubniak/AEN

Sobre a insuficiência de leitos de UTI na cidade, o médico afirma que há uma razão para isso acontecer, já que a abertura de novas unidade serve apenas para “enxugar gelo”. “A gente faz aquela analogia com enxugar gelo, mas se continuar derretendo, se continuarem tendo casos, se a gente não conseguir reduzir o número de casos não há leitos ativos suficientes no mundo”, ressalta Jaime.

Para o médico, não existe um risco zero de contágio para Covid-19. Segundo ele, o comportamento de muitas pessoas em fazer o teste de Covid-19 antes das confraternizações de Natal não é seguro, já que o teste pode dar negativo em um dia, mas dar positivo em outro. Jaime também comentou que uma quarentena mais restritiva antes das festas vai ajudar na queda do risco de contágio, mas isso não vai mudar o fato de que mesmo pessoas isoladas podem ficar doentes.

Transmissão Intrafamiliar

Beijos e abraços não podem acontecer nesses encontros em família. Foto: Shutterstock

De acordo com Jaime, o ambiente familiar é de mais alto risco por que as pessoas ficam mais confortáveis e seguras dentro dele. “Você tendo um caso dentro de uma casa, as chances dessa pessoa (família) vir a ser contaminada também vai ser enorme”, afirmou o médico. Uma sugestão do especialista é que as ceias de Natal sejam feitas em ambientes bem arejados e apenas com pessoas do mesmo núcleo familiar.

“Imagine alguém da sua família doente e você descobriu que você foi o transmissor, como você vai conviver com isso? Você tem que entender se seu pai ou sua mãe ficarem doentes, nos estamos sem leitos”, afirmou Jaime.

Toque de Recolher

Fiscalização municipal e Polícia Militar (PM). Foto: SMCS

Há exatamente 3 semanas, o governador Ratinho Jr (PSD) implementou um toque de recolher no Paraná para atuar na queda dos casos de Covid-19. A previsão é para que o toque termine no dia 28 de dezembro. De acordo com o Dr Jaime, o fechamento de bares e a diminuição da circulação de pessoas conseguiu diminuir a curva da Covid-19. “A gente não esperava um crescimento tão acentuado de casos e isso vai trazer mais riscos neste final de ano”, afirmou Jaime

Segundo ele, as medidas de restrição são necessárias mas podiam ter sido implementadas antes. De acordo com ele, a ideia do governo de reduzir um pouco sobre a pressão no sistema de saúde funcionou.

Sobre a possível implantação de barreiras sanitárias – em estudo pelo Governo do Estado – o médico afirmou que ainda não tem como perceber se vai funcionar, no entanto, se os dois lados dessa barreira estiverem cheias de casos de Covid-19, essa nova restrição não será efetiva. A ideia do governo é medir temperatura de pessoas na estrada e fornecer orientações sobre o vírus antes que essas pessoas possam seguir viagem.

Preocupação com o Turismo

Médicos estão preocupados com praias lotadas. Foto: ANPr

Para o infectologista, qualquer festa ou evento que trouxer pessoas próximas sem máscara pode resultar nos surtos familiares e de amigos. “Basta um amigo seu ou um familiar estar doente nesse convívio para que você tenha um surto nas pessoas em que você gosta”, diz Jaime. Em relação as praias e a ausência de proibições para banhistas, o médico destaca que tudo depende do comportamento das pessoas. “Se fosse uma praia com pouca gente e com distanciamento, o risco seria muito pequeno”, salientou o médico.

Segundo o médico, as únicas armas contra o vírus são o distanciamento social e o uso de máscaras. Para ele, se as medidas de prevenção não forem cumpridas, é possível que nós tenhamos uma alta ainda maior da Covid-19 no mês de janeiro.

De acordo com o Secretario de Segurança Pública do Paraná, Coronel Rômulo Marinho Soares, não vamos ter qualquer proibição de banhistas nas praias, no entanto, serão dadas orientações sobre o risco de contágio da Covid-19 e pedidos para uso de máscaras.

Vida normal

Foto: SMCS

De acordo com o médico, as aglomerações, sem máscaras, só devem ser possíveis em pelo menos dois anos. Para Jaime, as vacinas que estão em estudo contam com resultados promissores. No entanto, ele destacou que nenhuma delas deve passar sem a aprovação de órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).