Da redação com assessoria

A Prefeitura de Curitiba oferece serviços gratuitos  para melhorar a autoestima das mulheres em situação de rua a partir desta quarta-feira (14), na Praça Osório, no Centro de Curitiba. A iniciativa inicia a semana de luta do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR). O mutirão levou às mulheres serviços de manicures e de cabeleireiros.

Além disso, profissionais do programa Consultório na Rua fazem abordagens e encaminham as mulheres para exames ginecológicos preventivos no Centro Programa de População de Rua (Pop) da Fundação de Ação Social, que fica na rua Conselheiro Laurindo. Equipes da Secretaria Municipal de Esporte Lazer e Juventude desenvolveram atividades com jogos recreativos.

AÇÃO SOCIALFoto: Edson Rimonatto/SMEM

A manicure Kátia Borba ficou impressionada com a história que ouviu de Ester dos Santos, de 40 anos – destes quase 30 como moradora de rua. “Ela me contou que teve cinco filhos, que todos vivem com sua mãe e que nenhum deles quer saber dela. Somente o mais velho, que tem 24 anos, é que de vez em quando procura saber notícias”, contou a manicure. Ester ainda comentou com Kátia, enquanto pintava suas unhas, que até tentou voltar para a casa da mãe, depois que sofreu um derrame cerebral, em 2011, mas não foi aceita. Então decidiu viver no abrigo da FAS. Durante o dia, ela frequenta o Centro Pop, onde desenvolve atividades de artesanato, cursos de informática e corte de costura.

Ester, que passou a viver nas ruas a partir dos 14 anos, conta que há muito preconceito em relação aos moradores de rua. “A partir do momento em que a gente vai para a rua, passa a ser marginalizado por todos, inclusive minha filha de 15 anos não me aceita. Nenhum dos meus filhos me chama de mãe”, lamenta.

Sabrina Jacinto tem 19 anos e vive nas ruas desde os 12. Saiu de casa influenciada pelo irmão mais velho e, ainda na rua, teve duas filhas: uma morreu e a outra está sendo criada por uma tia. Sabrina afirma de gosta de morar na rua. “Sinto mais liberdade”, diz. Sua rotina é sempre a mesma, ajuda o marido Robson, de 24 anos, a “cuidar” de carros, pede comida nas lanchonetes e dinheiro para quem passa. Eles garantem que conseguem arrecadar em torno de R$ 40 por dia. À noite, dormem embaixo de uma marquise de loja, na Rua XV de Novembro.

Marcos Schneider, de 28 anos, vive com Rejane Pinto, de 30 anos, que foi para a praça pintar as unhas para agradar ao marido. Ambos são catadores de papel. Eles garantem que não pedem esmolas, todavia vivem nas ruas. Dormem no próprio carrinho e afirmam que não passam frio. “Algumas pessoas doam agasalhos, outras dinheiro, mas a gente nunca pede. Para comer, vamos ao restaurante de R$ 1 da Praça Rui Barbosa, onde a comida é muito boa”, diz.

Serviço

As atividades da semana de luta dos moradores de rua prosseguem até a próxima quarta-feira (21) em vários espaços da cidade. Haverá um fórum de debates sobre a população de rua e o direito à saúde e a políticas públicas de assistência social. Também apresentação de filmes; torneio de futebol; ato ecumênico, exposição fotográfica e uma concentração (dia 19), na sede do movimento, na Praça João Cândido, no São Francisco.