Um protesto realizado por centenas de professores em frente ao Palácio Iguaçu na manhã desta terça-feira (17), pediu a anulação do Processo Seletivo Simplificado (PSS) em 2021. A ação foi liderada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Paraná (APP-Sindicato). Segundo os manifestantes, o Governo desconhece a realidade da educação no Paraná e ameaça demitir mais de 30 mil profissionais em meio à pandemia. A Secretaria de Educação e do Esporte (SEED) disse, em nota enviada à Banda B, que o PSS/2021 foi construído com diálogo com a comunidade dos professores e ressaltou que continuará ouvindo os pedidos dos professores.

 

O protesto reuniu diversos profissionais. Foto: Djalma Malaquias/Banda B

 

A ação começou por volta das 6h com dezenas de pessoas protestando em meio às ruas da capital. Já no fim da manhã, em frente à sede do governo do estado, no Centro Cívico, os professores se juntaram e, além do protesto contra a PSS, também se manifestaram contra ao programa de colégios cívico-militares será implementado em colégios estaduais de 117 municípios de todas as regiões do Paraná a partir do ano que vem. A classe ainda se manifestou contra o atual secretário da SEED, Renato Feder, e pediu a saída dele do comando da pasta.

 

“Tratoraço, Governador, é covardia!”, diz uma das faixas de protesto da APP-Sindicato. Foto: Djalma Malaquias/Banda B

 

A presidente do Fórum das Entidades Sindicais do Paraná (FES), Marlei Fernandes, disse que a única forma de abrir as” portas do Palácio” é com mobilização. Segundo ela, é inadmissível o governo pensar em demitir dezenas de milhares de profissionais neste momento crítico da pandemia.

“Não é possível o governo querer fazer prova na pandemia para 100 mil trabalhadores, sendo que não é um concurso público. Com a demissão em massa dos profissionais, há pessoas que vão ficar sem salário. A política tinha que ser ao contrário. Contra a prova PSS e prorrogando os contratos, porque nós estamos na pandemia. O que governo exige da iniciativa privada, é o mínimo que ele precisa aplicar aos seus servidores”, pontuou.

Ela também afirmou que há falta de dialogo e um desconhecimento do Estado sobre o atual cenário da educação pública no Paraná. Marlei criticou a atuação do secretário Renato Feder e pediu a entrada de alguém que conheça e queira debater com a classe sobre os problemas que existem na rede de ensino estadual.

 

O edital 47 tornou público o PSS 2021. Foto: Djalma Malaquias/Banda B

 

“Trata-se de um empresário que veio para o Paraná, não conhece a realidade da nossa educação e que não quer conversar. Este é o problema. Então, coloquemos um professor, de fato, aqui do Estado, que conhece a realidade para debater conosco o que nós precisamos”, criticou.

Indígenas

Kretãn Kaingang faz parte da coordenação executiva dos Povos Indígenas do Brasil (PIB) na região Sul do país e explicou à Banda B os impactos que esta demissão de professores traria as comunidades indígenas de todo Paraná. “Para o professor dar aula na nossa escola, ele leva um ano para se adaptar. Então, com esta portaria, vão chegar pessoas que nós não conhecemos nas nossas comunidades. E a gente vai ficar um ano se preparando para que, depois disto, venha um outro concurso e daí tudo isto voltará novamente”.

Ele ainda afirmou que a comunidade não foi ouvida sobre a possível ação que o Governo planeja e foi alvo dos protestos. “Ninguém, o governador, o secretário, foi lá e disse. ‘A gente vai ter mudança no PSS e vocês vão correr risco de desempregar professores indígenas’. Nós, os indígenas, temos direitos constitucionais e temos a convenção 69 que nos garante que sejamos consultados antes de qualquer projeto que nos afete. Então, é neste sentido que a gente está fazendo a luta, para garantir o direito dos nossos professores indígenas e também de toda a sociedade de Curitiba”, concluiu.

Nota SEED

Em nota enviada à Banda B, a Secretaria da Educação e do Esporte do Paraná (Seed-PR) afirmou que continua ouvindo os professores e ressalta que todos os pedidos de reunião foram atendidos. De acordo com a Seed, o Processo Seletivo Simplificado (PSS) 2021 foi construído com diálogo, inclusive com a secretaria retirando a prova de redação e banca, como originalmente planejado. Segundo a pasta, apenas a prova de conhecimentos está como novidade e foram mantidos como parte do processo seletivo a prova de títulos e o tempo de serviço – mesmos critérios utilizados em anos anteriores.

No fim, a secretaria disse que o novo PSS valoriza profissionais experientes e ao mesmo tempo abre novas oportunidades.

Colégios Cívico-Militares

Sobre a consulta pública dos Colégios Cívico-Militares, a Seed-PR ressalta que o processo foi transparente, ouvindo as comunidades escolares, e que qualquer denúncia de fraude deve ser formalizada para que se tomem as devidas providências.

Vídeos

O repórter Djalma Malaquias gravou imagens da manifestação realizada pelos professores na manhã desta terça-feira (17)