Pesquisa indica limite de velocidade 1/3 menor do que o recomendado para ‘Curva da Morte’


Da Redação

Pesquisa inédita divulgada nesta quinta-feira (7) mostra uma relação direta entre o alto número de acidentes em um dos trechos mais perigosos das rodovias do Paraná, a Curva da Santa, localizada na BR-376, em Guaratuba, no Litoral. De acordo com o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), o ideal seria iniciar e finalizar o trajeto em 40 km/h, velocidade 1/3 menos que os 60 km/h indicados atualmente.

Reprodução Autopista Litoral Sul

Segundo os dados, a serra apresenta mais oito raios de curvas acentuadas antes da própria Curva da Santa, algumas até mais fechadas, o que com a atual velocidade exige o uso dos sistemas de freio diversas vezes, tanto do motor quanto de serviço. O estudo afirma que o resultado é o aumento da temperatura: quanto mais o motorista usa os freios nas curvas, mais a temperatura sobe, provocando redução da eficiência de frenagem. “Este fenômeno provoca a vitrificação das lonas de freio. A consequência direta é a perda total da capacidade de reduzir a velocidade ou parar o veículo”, diz o sindicato.

“A diferença de tempo para percorrer este trecho de 2,6 km seria de aproximadamente um minuto a mais”, explica Gilberto Cantú, presidente do Setcepar. Para ele, utilizar freio motor e marcha reduzida ajudam a diminuir o número de acidentes graves no local, além de reduzir a velocidade máxima de 60 km/h para 40 km/h. “O declive acentuado e a existência de oito curvas antes da Curva da Santa são fatores determinantes para os caminhões chegarem nesse ponto com os freios superaquecidos. Mesmo passando pela Curva da Santa em seu limite de velocidade, o risco de tombamento cresce, especialmente de veículos mais pesados, como caminhões. Utilizar freio motor e marcha adequada, diminuir o limite de velocidade, bem como manter os veículos revisados e em boas condições de manutenção contribuem para garantir uma viagem segura”, diz.

“Alguns quilômetros adiante da Curva da Santa foi instalada uma área de escape com caixa de desaceleração justamente para receber veículos com freios superaquecidos, mas próximo ao ponto mais perigoso não existe essa estrutura”, alerta Cantú.

Estudos realizados em outros países apontam que a velocidade inicial de trechos em descidas com curvas fechadas deve ser definida com base no peso e combinações de veículos e sua capacidade de frenagem. Assim, os 60 km/h como limite para veículos mais pesados seriam um risco. Nos últimos seis anos, 13 pessoas morreram e 150 ficaram feridas (44, com gravidade) em ocorrências no trecho.

Em março, um estudo da Polícia Rodoviária Federa (PRF) apontou que mais de 90% dos desastres (221) foram causados por abusos cometidos pelos motoristas, como excesso de velocidade ou por falta de manutenção nos veículos.

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