Por Marina Sequinel 

onibus-transporte-coloetivoPara especialista, problemas no transporte coletivo são decorrentes de erros históricos. (Foto: Divulgação/SMCS)

A solução para o impasse constante no transporte coletivo da Grande Curitiba é começar do zero. A afirmação é do professor Eduardo Ratton, coordenador do Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura (ITTI) da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Segundo ele, problemas como a desintegração entre a capital e região e o frequente atraso nos salários poderiam ser resolvidos se a prefeitura de Curitiba rompesse com as empresas que não cumprem os contratos.

“O ideal é abrir uma nova licitação e contratar outros fornecedores para o serviço. Afinal, se as corporações que estão atualmente no transporte sofrem prejuízos há anos por que continuar do modo como está? Enquanto isso, para a população não ser prejudicada, a administração poderia realizar contratações emergenciais”, disse Ratton em entrevista ao radialista Geovane Barreiro na 2ª edição do Jornal da Banda B, nesta terça-feira (12).

De acordo com o professor, os conflitos que o transporte coletivo enfrenta são decorrentes de um erro histórico. “Desde que a Urbs foi criada, foram se somando divergências e a Comec jamais assumiu a responsabilidade pela região metropolitana [RMC]. Certamente chegaria um momento em que não haveria mais como a prefeitura da capital bancar, sozinha, todo o custo do transporte da RMC. O desalinhamento político entre município e estado causou a desintegração”, completou Ratton.

Para ele, as empresas também têm culpa, já que o lucro que recebem não pode ser corrigido apenas pelo valor da tarifa, como elas alegam. “A culpa não é dos trabalhadores, eles precisam receber os seus salários. É até correto que eles entrem na esfera jurídica contra os empresários, que não podem jogar os problemas em cima dos motoristas e cobradores para forçar o aumento da tarifa. Quem sofre com isso tudo também é o usuário do transporte, que fica sem ter como ir estudar ou trabalhar. É difícil avaliar todo o prejuízo causado pela paralisação, parcial ou total”, concluiu.

Greve

A reunião no Tribunal Regional do Trabalho, que começou às 15h, continua sem uma definição para a greve dos motoristas e cobradores da Grande Curitiba. Sem pagamento integral do salário, mais de sete mil trabalhadores, que fazem 410 linhas, cruzam os braços por tempo indeterminado.

A frota mínima, de 50% no horário de pico e 30% em horário normal, conforme acordo no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), não foi cumprida. Como apenas três empresas da capital pagaram, um número pequeno de coletivos deve circular enquanto a greve durar.