Por Felipe Ribeiro e Daniela Sevieri

Apontado como responsável pela organização de um show de rock que terminou com a morte de três adolescentes no Jockey Club, Athayde de Oliveira Neto foi condenado a 14 anos e 4 meses de prisão em julgamento realizado no Tribunal do Júri de Curitiba, nesta quarta-feira (31). De acordo com a sentença, ele assumiu o risco de produzir as mortes das vítimas quando não apresentou projeto necessário ao Corpo de Bombeiros, não pagou a taxa necessária à Polícia Militar e vendeu uma quantidade de ingressos superior à capacidade do espaço.
Athayde Neto foi acusado de homicídio com dolo eventual com motivação torpe. Para o Ministério Público do Paraná (MP-PR), visando o lucro, o réu vendeu mais ingressos do que a capacidade do espaço. Segundo a denúncia, ainda houve atraso na abertura dos portões. Na hora que a banda começou a tocar, as pessoas que esperavam para entrar começaram a se projetar. Aqueles que estavam mais a frente foram pressionados, pisoteados e alguns asfixiados.
Advogado de defesa de Athayde, Cláudio Dalledone, disse que a decisão foi injusta e que o julgamento ainda não acabou. “Os autos demonstram, as provas demonstram que tinham outros organizadores. Vamos recorrer e vamos anular o julgamento. A decisão foi contrária às provas dos autos, confio nisso, e vamos persistir”, disse.
Logo depois da sentença, Dalledone entrou com apelação junto ao júri. A defesa tem até cinco dias para apresentar as razões do recurso.
O caso
Na tragédia ocorrida em maio de 2003, três jovens morreram e outras 50 foram pisoteadas em um tumulto generalizado. As pessoas que esperavam para entrar no show da banda Raimundos e estavam próximas ao portão foram esmagadas. Na época, Mariah de Andrade Souza, 14 anos, Larissa Seletti, 15, e Jonathan Raul dos Santos, 15, morreram por causa de fraturas provocadas pelo empurra-empurra.