Ocupação na UFPR completa dois dias e estudantes apresentam condições para deixar prédio


Por Felipe Ribeiro

Foto: Divulgação UFPR

A ocupação no prédio da Reitoria completou dois dias na tarde desta quarta-feira (2) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) decidiu suspender a mesa de negociação que estava marcada para hoje. Uma reunião, porém, tratou da desocupação e discutiu as condições dos estudantes para deixar o prédio.

Pelo Facebook Greve Estudantil – UFPR, o grupo que ocupa o prédio informou que todo o cuidado com o patrimônio público está sendo tomado. “Ao contrário do que muitos pensam, a ocupação não é baderna. Temos responsabilidade com o patrimônio público, temos responsabilidade ecológica, e queremos apenas nossas pautas”, postou a página.

O reitor em exercício, Rogério Mulinari, criticou em entrevista à Banda B os mascarados que ocupam os quatro pavimentos do edifício central e disse que a negociação apenas no começo. “Nós buscamos sempre a construção coletiva das demandas e queremos buscar soluções concretas e que possam ser implementadas. No nosso histórico, jamais alguém foi prejudicado por suas crenças e dizemos que a necessidade de se mascarar, transparece um movimento não legítimo e que não contribui para a universidade”, disse.

No final da noite de terça, o grupo acusou a administração de corte no fornecimento da energia elétrica nos prédios. A UFPR, porém, afirma que ambas seguem sendo fornecidas normalmente.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE), disse na tarde de terça-feira (1º), que a entidade não vem participando das recentes decisões e atividades do Comando de Greve responsável pela ocupação do prédio. Segundo a nota, ações legítimas para reivindicação de pautas “não devem ser banalizadas, nem tomadas de forma inconsequente”.

A UFPR coloca como condição para a retomada das negociações a desocupação do prédio. “Um processo de negociação não pode ser conduzido sob ameaça da liberdade de uma das partes de exercer plenamente seu mandato em nome de toda sua coletividade. A Reitoria recomenda ponderação e tranquilidade neste momento de tensionamento e aguarda o retorno do bom senso a este movimento e à normalidade institucional”, diz em nota.

Reivindicações

Segundo os manifestantes, entre os pedidos é uma reunião formal com a reitoria; faltas abonadas de estudantes durante a greve dos professores; melhora na assistência estudantil, como auxílio-moradia, auxílio-permanência, auxílio-creche, auxílio-alimentação e a casa estudantil; a devolução do prédio do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e, por fim, que todos os acordos sejam firmados por escrito.

Reunião

Por volta das 16h20, o Comando de Greve informou que se reuniu com a Reitoria apenas para tratar da desocupação. “Foi acordado que a reitoria se comprometeria a divulgar um documento, formal e escrito, respondendo os 7 critérios para a desocupação da reitoria, elencados em plenária do Comando.

Esses critérios são:

1. Continuidade de negociação – Manutenção da reunião do dia 02.09 e comprometimento em acordar novas reuniões de negociação;
2. Não criminalização: Convocação imediata do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) extraordinário para debater a suspensão do calendário e garantia de abono de falta aos estudantes grevistas;
3. Respostas por escrito e assinadas das pautas já negociadas;
4. Avanço na negociação de pautas de assistência estudantil
5. Devolução imediata do prédio do DCE aos estudantes;
6. Garantia de uma reunião do Comando de Greve Estudantil da UFPR com o MEC;
7. Adiantamento da publicitação do orçamento da universidade.

A UFPR agora deve verificar as condições.

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