Círculo Militar lota de estudantes para ouvir ex-presidente do Uruguai, José Mujica, falar sobre democracia


Por Elizangela Jubanski e Flávia Barros

1/1Atlético tropeçou mais uma vez e vê o sonho do G7 ainda mais distante (Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo)

O ginásio do Círculo Militar do Paraná está totalmente ocupado por estudantes e pessoas que se inscreveram para participar do encontro que discute a democracia na América Latina. A presença do senador e ex-presidente do Uruguai, José Mujica, fez com que as inscrições se encerrassem rapidamente. Mujica chegou ao local por volta das 9h30 e foi ovacionado pelos estudantes, já acomodados no espaço. Do lado de fora, fila de estudantes esperançosos se formou para aguardar uma possível abertura de novas vagas.

Hoje acontece o primeiro evento do projeto Ciclo de Diálogos Quarta Quarta, desenvolvido pelo Laboratório de Cultura Digital, do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná, com o apoio da APP-Sindicato. O seminário quer estimular a participação política de estudantes e outros atores sociais através de três seminários temáticos realizados em julho, agosto e setembro na quarta quarta-feira de cada mês.

Para a Banda B, a docente Andréa Caldas, do Setor de Educação da UFPR, ressaltou que a participação com os presentes será fundamental e a presença de Mujica é importante para a discussão sobre o tema. “A intenção do projeto é ampliar, discutir, testar formas de participação via digital, por isso que esse evento será transmitido ao vivo. Vamos ter uma plataforma de participação digital, de debate, de intervenção. Escolhemos esse tema e tivemos a felicidade de contar com a presença do senador Mujica que, com certeza, foi o que mobilizou esse número de inscrições”, explicou.

Convidados

A mesa está composta também por representantes da academia, como o professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), Gilberto Maringoni, autor de doze livros com experiência na área de história da América Latina. Em entrevista à Banda B, Maringoni disse que a democracia não vive bons momentos. “Tivemos um ciclo na América Latina de governos reformistas, de governos com preocupação sociais, como foi Chávez na Venezuela, Cristina Kirchner na Argentina, Lula no Brasil, Mujica no Uruguai, paraguay Rafael Correa no Equador, Evo Morales na Bolívia. E esse ciclo combinou com um momento econômico positivo em que a China estava comprando produtos da América Latina, comprando soja, minérios, a exportação do petróleo em alta – combinou com a prosperidade. Então, se instalou a crise econômica e há um descontentamento popular com a crise. Nesse momento, a Direita se aproveita para avançar e tentar tirar direitos duramente conquistados”, defende.

Também presente no evento, Heliana Hemerito dos Santos, militante do movimento da cultura negra e do enfrentamento na violência contra mulheres; e a professora da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), Lívia Morales.

Interação

Projetado como um espaço de experimentação de metodologias e tecnologias de participação e democrática digital, o Laboratório de Cultura Digital propõe para este seminário a utilização do Delibera, uma plataforma de software livre programada para que um grupo de pessoas possam interagir e tomar decisões de forma democrática no ambiente digital. Através da ferramenta qualquer pessoa pode enviar perguntas e propor interações com os convidados da mesa, antes e durante a conferência, além de concordar ou discordar de comentários enviados. As propostas mais votadas serão selecionadas para reflexão dos convidados.

Mujica

O senador e ex-presidente do Uruguai, José Mujica, foi preso político durante 14 anos pelo importante papel no combate à ditadura civil-militar no Uruguai de 1973 a 1985. Ele nasceu a 20 de maio de 1935 em Montevideu e, quando era jovem, militou no Partido Nacional (atualmente na oposição). Nos confrontos com as autoridades levou seis tiros e esteve preso em quatro ocasiões, tendo passado 14 anos atrás das grades. Depois do golpe de Estado de 1973, fez parte de um grupo de guerrilheiros que foi alvo de torturas, tendo sido mantido isolado. Pepe, como é conhecido, recuperou a liberdade em 1985, graças a uma amnistia

Inscrições

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas através do formulário no site do evento, devendo ser efetivadas após confirmação via e-mail. O auditório possui capacidade de 500 lugares, distribuídos por ordem de inscrição.

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