Por Felipe Ribeiro e Juliano Cunha

Fotos: Juliano Cunha

Famílias cadastradas na Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab), que haviam ocupado cerca de 16 casas na noite de ontem, realizaram um protesto logo após o despejo no final da tarde desta segunda-feira (11). De acordo com a alegação dos manifestantes, eles estão no cadastro da Cohab há muito tempo e ficaram sabendo que essas casas seriam destinadas para pessoas em área de risco, ao invés deles que já moram na região do Uberaba. O cruzamento fechado fica localizado no cruzamento das ruas Fernando Antônio Alberti e Helena Carcereri Pierkarski.

De acordo com a moradora Benta do Rosário Santos, que diz estar na lista há seis anos, eles se sentem esquecidos e no momento da saída nada foi dito. “Eles só chegaram tirando as minhas coisas e quebrando tudo, só queremos poder morar dignamente”, disse.

Já Ricardo Soares confirmou que o principal motivo para a ocupação foi receber da Prefeitura a informação que pessoas de outros bairros seriam privilegiados pela companhia ao invés deles. “Seis anos e não conseguimos uma moradia. Nós temos filhos pequenos e queremos mostrar para a Cohab que existimos”,  comentou.

De acordo com o guarda municipal Dalla Vila, as casas foram ocupadas por cerca de vinte famílias e todo o processo foi pacífico e sem reação.

A Prefeitura de Curitiba confirmou que as casas estão destinadas a moradores de áreas de risco, da região do Uberaba, e que inclusive já possui a lista com as famílias que passarão a morar nessas residências. A Cohab está estudando alternativas para acelerar a entrega das unidades para os proprietários – ainda falta a finalização do sistema de esgoto. A Guarda Municipal irá monitorar as casas para evitar novas ocupações.

Sobre a alegação de tempo na fila da Cohab, a Prefeitura informou que os atendimentos para fila e reassentamento são feitos em projetos distintos. Um não concorre com o outro. Este ano, por exemplo, foram feitos 922 reassentamentos e entregues 3.434 para famílias inscritas na fila.

Já a situação dos dois entrevistados da reportagem é a seguinte:

– Benta do Rosário dos Santos – inscrição de julho de 2012, na faixa 1 do Minha Casa, Minha Vida (renda de até R$ 1.600). Pelas normas do programa, a destinação das unidades nesta faixa de renda é por sorteio. Ela participou dos dois sorteios realizados pela Cohab depois de julho de 2012: em outubro de 2012 e junho de 2013.

– Ricardo Soares – o nome é mais ou menos comum e teríamos que ter mais informações para uma pesquisa mais exata. No entanto, verificamos que existem 9 pessoas com esse nome cadastradas e, coincidentemente, nenhum deles está com inscrição ativa. Ou seja, ele deve ter feito inscrição na Cohab, mas deixou de renovar seus cadastros no prazo de um ano e, com isso, a inscrição não é considerada válida. Assim, ele não pode participar de sorteios da faixa 1, nem de convocações por antiguidade, na faixa 2 (renda superior a R$ 1.600).