Por Marina Sequinel e Luiz Henrique de Oliveira

Caso aconteceu na Unidade do Boa Vista. (Foto: Reprodução/StreetView)

Uma família de Curitiba procurou a Banda B para relatar um caso de agressão contra uma jovem estudante de 21 anos que teria acontecido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Boa Vista. Segundo a denúncia, a universitária, que tem histórico de depressão, deu entrada na UPA depois de ingerir uma grande quantidade de medicamentos, na tentativa de cometer suicídio.

Enfermeiras teriam amarrado e agredido paciente, segundo denúncia. (Foto: Arquivo pessoal)

“Ela foi dormir na casa do namorado e os dois tiveram uma discussão. Nisso, ela resolveu tomar remédios a mais e o rapaz chamou o Samu, que a levou até a UPA. Como isso foi de madrugada, ele não conseguiu entrar em contato com a gente para dizer o que tinha acontecido”, contou a mãe da jovem em entrevista à reportagem na tarde desta sexta-feira (4).

De acordo com ela, ao chegar na Unidade, a universitária foi levada para tomar soro. “O caso não era tão grave e, por isso, ela ficou um pouco lá e já queria sair. Acho que as enfermeiras não souberam lidar com isso e bateram muito nela. Parece que elas tiveram que contê-la, deram socos, chutes e a amarraram por três horas”, completou a mãe.

Além da agressão física, a paciente teria sofrido ainda ataques verbais. A mãe afirmou que as enfermeiras a chamaram de “débil mental” e afirmaram que “ela era a pior espécie de pessoa por ter feito o que fez”. Durante o atendimento, o namorado da jovem ficou na sala de espera e foi impedido de entrar para vê-la.

“Eu só fui saber o que tinha acontecido no outro dia. Quando cheguei lá, os turnos já haviam sido trocados e eles disseram que eu só poderia ver a minha filha depois das 11h”, comentou a mãe.

Boletim de Ocorrência e exames

No dia seguinte às supostas agressões, a mãe e a jovem registraram Boletim de Ocorrência na delegacia sobre o caso. “Lá, os policiais nos orientaram a ir até o Instituto Médico Legal [IML] para que a minha filha fizesse exame de corpo de delito. Até o médico que a analisou ficou assustado com as marcas e lesões deixadas pelas enfermeiras”.

O laudo do IML deve ficar pronto em 10 dias. “Nós estamos esperando o resultado para os próximos passos, porque queremos justiça. A minha filha ainda não está bem. Ela disse que aquela foi a pior noite da vida dela”, finalizou.

A Polícia Civil deve agora investigar o caso.

Outro lado

Procurada, a assessoria da prefeitura de Curitiba informou, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, que a paciente foi atendida, mas teve um surto, precisando ser contida, como medida protetiva para a própria paciente e para evitar a fuga da unidade. Não há registro de agressão física ou verbal por parte da equipe de saúde. Mas a secretaria aguarda o resultado do laudo do IML do exame de corpo de delito.