Em Curitiba, no último domingo (9), em quatro horas choveu 33 milímetros, o que representa 20% da chuva esperada para todo o mês de fevereiro na cidade.

Em São Paulo, durante 15 horas, de domingo para segunda-feira (10), a cidade teve a maior chuva para o mês de fevereiro em 37 anos: 114 mm.

Um volume tão grande de água que chega a colocar em risco a vida de muitas pessoas, sem falar nos prejuízos.

Enchente no Rio Belém no domingo (9) – Foto: Colaboração

E tudo é sempre muito rápido. Em poucos minutos, tudo alaga e os moradores não tem o que fazer porque são pegos de surpresa.

Mas e se existisse um sistema de monitoramento nos rios capaz de alertar com antecedência a formação iminente de uma enchente?

Foi este desafio que fez com que os estudantes de Curitiba, João Vitor Mello Freitas, Raul Guedes Carlessi e Jean Moroski desenvolvessem um sistema que avisa moradores quando o nível dos rios aumenta.

O objetivo do sistema é alertar, com uma certa antecedência, as pessoas que moram próximas a rios a respeito da possibilidade de enchentes no local para que elas possam se preparar. É preciso instalar canos com sensores nas margens dos rios. À medida em que a água sobe, um aviso é disparado às pessoas cadastradas, via SMS ou mensagem pelo WhatsApp.

Raul Guedes Carless, em Harvard – Reprodução

Essa boa ideia levou Raul, estudante de 16 anos do Colégio Estadual Arlindo Carvalho de Amorim, também na capital paranaense, a passar por uma imersão naquela que é considerada uma das melhores universidades do mundo, Harvard, nos Estados Unidos. Como a universidade disponibilizou uma única vaga, apenas Raul pôde participar do projeto nos EUA.

A Banda B conversou com João Vitor. Ele disse que os dois tiveram a ideia após sofrerem com as famílias uma grande enchente na Vila Barigui, na CIC, em 2018, onde moram.

“Vimos muitos amigos sofrendo com a perda de tudo que tinham por causa das enchentes, inclusive nós também perdemos coisas por causa dos alagamentos. Daí pensamos numa solução para, pelo menos, diminuir o dano que as enchentes causam na vida das pessoas”, contou João Vítor à Banda B.

O estudante explica que o importante é criar um padrão de comportamento para o rio, apontando assim quando há uma variação para enchente.

“Instalamos sensores no Rio Barigui. Cada sensor cobre cerca de um quilômetro. Cobrindo algumas áreas conseguimos coletar dados como altura da água, fluxo do rio, velocidade… daí criamos um padrão para quando ocorrem enchentes. Coletamos estes dados em tempo real e criamos uma métrica padrão para casos de transbordamento. Aí avisamos o morador que a enchente é um risco iminente”.

Reprodução

Segundo o estudante, por enquanto, o alerta pode ser dado via mensagens de texto com, no mínimo, 15 minutos de antecedência, mas a ideia é ampliar este tempo. “O pior para a população é ser pega de surpresa, de um momento para outro. Com este alerta, é possível se prevenir e não sofrer tantos danos”, completa.

Hoje, cada kit com sensor, custa cerca de R$ 250. O objetivo é conseguir investimentos e diminuir os custos, assim como aumentar o tempo de aviso à população. “Estamos trabalhando nisso e nosso objetivo é formalizar este sistema como uma startup para implantá-lo em várias cidades. Queremos ajudar as pessoas”, finaliza João Vítor.