Por Luiz Henrique de Oliveira e Flávia Barros

(Fotos: Flávia Barros – Banda B)

Aos 35 anos, Maria Cristina Lobo de Oliveira carrega no peito uma dor que sabe que sentirá para sempre. Fosse viva, a pequena Rachel Genofre, encontrada morta dentro de uma mala na Rodoviária de Curitiba, no início de novembro de 2008, estaria perto de completar 18 anos. “É muito difícil, porque a Rachel sempre foi uma criança que estava na luta. Ela estaria aqui junto com a gente”, disse Maria Cristina à Banda B, durante ato da manhã deste sábado, na Rodoviária de Curitiba, que lembrou os oito anos do assassinato de Rachel.

Com faixas e músicas em homenagem à filha, a pedagoga lamentou que pouco tenha sido feito desde o crime que chocou o Brasil. “Não tem programa de proteção, orientação e isso tudo é muito revoltante. A gente vê que tudo isso permanece acontecendo. O estado é omisso e lava as mãos”, disse Maria Cristina, acompanhada de dezenas de mulheres de movimentos populares.

Ela também criticou as investigações do caso por parte da polícia. “Eu não vejo mais nada sobre o trabalho da polícia. Eu preciso saber como estão as investigações. É muito pavoroso continuar vivendo sem esse culpado pagando”, lamentou.

Terminal Rachel Genofre

Presente no ato, Maria Isabel Correia, da União Brasileira das Mulheres (UBM), disse que o grupo pede que o terminal leve o nome de Rachel Genofre. “Isso seria importante para lembrar a nossa luta. Estamos há oito anos lutando para que algo aconteça com relação ao caso Rachel Genofre. Nossa luta é também contra essa violência à mulher presente em nossa sociedade, seja ela verbal, física ou sexual. A Rachel é o símbolo de nossa luta, que é por todas as mulheres”, disse.

Investigações

Crime emblemático em Curitiba, a morte de Rachel Maria Lobo Oliveira Genofre completa oito anos nesta quinta-feira. Era 3 de novembro de 2008 quando a pequena de nove anos saiu da escola, por volta das 17h30, para ir para pegar um ônibus até em casa, mas desapareceu. Dois dias depois, o corpo dela foi encontrado esquartejado dentro de uma mala na Rodoferroviária de Curitiba. Em entrevista à Banda B, nesta semana, o delegado-chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Fábio Amaro, voltou a divulgar imagens do lençol encontrado com a vítima e fez um apelo por novas informações. (Relembre na notícia relacionada abaixo)

O caso

No final da tarde do dia 03 de novembro de 2008, a menina Rachel Genofre deixava o Instituto de Educação, no Centro de Curitiba, após o término das aulas. O tchau dado pela garota aos colegas de classe é a última lembrança que se tem de Rachel ainda viva. O corpo da garota, morta por esganaduras no pescoço, só foi encontrado dois dias depois, na noite do dia 05, dentro de uma mala abandonada embaixo de uma escada, na Rodoferroviária de Curitiba.

Vários delegados já passaram pelo caso e três suspeitos já foram presos, mas até hoje o caso não foi solucionado.

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