Os protestos se tornaram diários. Mesmo com divergências, empresários ligados à Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), Associação Comercial do Paraná (ACP) ou ao coletivo ‘Fechados pela Vida’ descrevem o mesmo problema no enfrentamento do novo coronavírus: a dificuldade de obtenção de crédito para manter os negócios e, consequentemente, o emprego dos trabalhadores. Com quatro meses fechados, eles fazem um apelo para que a economia possa girar, mesmo com as restrições definidas pelo poder público. A mais recente ação foi a do empresário Arlindo Magrão, do Bar O Torto, que está acorrentado em frente à sede da Caixa Econômica Federal há mais de 50 horas na Avenida Cândido de Abreu.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A dificuldade, obviamente, não passa despercebida pelos economistas. Nesta terça-feira (14), a Banda B conversou com o doutor em Economia e professor da Universidade Positivo, Lucas Dezordi, que lembrou que os empresários costumam ter capital de giro para 45 ou 60 dias, então o distanciamento social de fato fez a demanda cair muito. “Pelo fato de o empresário não ter recurso para enfrentar mais do que dois ou três meses, o serviço financeiro precisa entender esse momento de dificuldade e tentar costurar o melhor tipo de financiamento, para adiantar esse capital de giro. O que eles estão pedindo é uma ajuda para que possam rodar seu negócio”, explica.

Sobre a dificuldade, Dezordi comenta que os bancos temem a dificuldade e uma possível inadimplência em um momento como esse, mas que isso pode causar um problema ainda maior. “Se não sair o crédito, o nível de desemprego cresce mais ainda e vira uma profecia autorrealizável. Se o banco tem medo no que diz respeito a concessão de crédito por causa do desemprego, aí que o desemprego vem mais forte e, por consequência, uma rescisão mais forte”, disse.

Segundo os empresários, a dificuldade de obtenção de crédito tem acontecido entre bancos públicos e privados. Segundo a Caixa, R$ 4,4 bilhões já foram disponibilizados no país por meio do Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe). São 8.234 pré-contratos assinados, que totalizam R$ 1,2 bilhão à espera de liberação, além de demandas de clientes que estão com a documentação em análise.

Intervenção

Diante desse cenário complicado, Dezordi disse acreditar que o Governo Federal deveria intervir mais ativamente na situação. “A gente entende que a situação fiscal do Brasil é muito mais delicada do que a de muitos países desenvolvidos, mas nós temos um Banco Central que poderia atuar mais forte na ajuda de concessão de crédito, junto com o Tesouro. É melhor você dar crédito, reativar o consumo, reativar a demanda e manter os empregos, do que você ficar na janela, em um ambiente seguro, vendo a economia quebrar”, concluiu.