Corpo de andarilho está há 3 dias em Unidade de Saúde por falta de vaga no IML; 140 cadáveres lotam geladeiras


Por Denise Mello

IML de Curitiba não tem mais vagas – Foto de viatura do Instituto: Carlos Antonio Soares/AENoticias

Uma situação inusitada no Pronto Atendimento do Alto Maracanã, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, acabou trazendo à tona a superlotação do Instituto Médico Legal de Curitiba (IML). Desde domingo (24), o corpo de um homem, que morreu dentro da Unidade, está em uma sala do prédio aguardando pelo sepultamento. De acordo com denúncia de moradores que procuraram a Banda B nesta quarta-feira (27), o mau cheiro toma conta da Unidade. “É um absurdo. Tem um corpo lá dentro desde domingo e ninguém leva esse homem para ser enterrado. O mau cheiro tomou conta de tudo. Meu Deus, o que é isso?”, disse uma ouvinte que ligou para a rádio nesta manhã e não quis se identificar.

A assessoria da prefeitura de Colombo confirmou que o corpo está lá desde domingo e só não foi sepultado até agora porque, por se tratar de um andarilho sem documentos, não é possível fazer o enterro. A assessoria informou que a prefeitura procurou o Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba e foi informada que não há vagas nas geladeiras. Informação confirmada pela assessoria da Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp). De acordo com a Sesp, o IML de Curitiba está lotado com 140 corpos e não há mais espaço para receber ninguém.

O homem que aguarda sepultamento no Pronto Socorro Alto Maracanã chegou na unidade dias antes bastante debilitado, com quadro de pneumonia. Morador de rua, não apresentava documentos. Recebeu atendimento, mas faleceu na noite de domingo. No dia seguinte, segundo a assessoria da prefeitura de Colombo, a família foi localizada, porém, sem os documentos do paciente. Só nesta quarta-feira o documento de identificação foi regularizado, sendo possível assim, fazer o atestado de óbito. O corpo será entregue à família nesta quinta-feira para o sepultamento.

A prefeitura informou ainda que, durante os dias em que o corpo ficou na Unidade, procurou o IML de Curitiba, mas foi informada que não havia vagas. A assessoria, porém, rebate a informação de frequentadores da Unidade de Saúde de que o mau cheiro tomou conta do local dizendo que, enquanto o paciente permaneceu no Pronto Atendimento Maracanã, aguardando a vaga no IML, recebeu todos os cuidados necessários.

Geladeiras lotadas no IML

A Banda B procurou a assessoria do governo do Paraná e da Secretaria de Segurança Pública e aguarda uma entrevista com o diretor do Instituto. A princípio, a assessoria informou que, de fato, não há vagas no IML de Curitiba e nem nas geladeiras de corpos no Hospital do Trabalhador. Só no IML são 140 corpos aguardando sepultamentos, a maioria de pessoas sem identificação que só podem ser levadas a um cemitério com autorização judicial.

De acordo, com a assessoria, o sepultamento de pessoas nesta situação não é responsabilidade do IML, mas sim das prefeituras de origem dos corpos.
Por sua vez, a reportagem procurou então a assessoria da Prefeitura de Curitiba, que é responsável pelos sepultamentos de pessoas sem identificação e acaba absorvendo, inclusive, corpos de municípios da região Metropolitana. Em nota, a assessoria informou que há vagas abertas para sepultamentos na capital e depende apenas do acionamento do IML para recolher os corpos.

A nota diz: “A Prefeitura de Curitiba faz os sepultamentos gratuitos para famílias carentes e está com todos os pedidos protocolados atendidos (não há nenhuma pendência). Os pedidos são feitos pelo IML, através de ofício, que – depois de autorizado pelo Serviço Funerário Municipal – precisa de alvará judicial para que o sepultamento aconteça. Só nesta semana vão ser abertas mais 60 vagas para sepultamentos sociais, que – além de atender famílias de baixa renda residentes em Curitiba (obrigação do município) – também atendem pessoas não reclamadas (indigentes) de Curitiba e outros municípios. Curitiba passou de 0,3% de funerais gratuitos, em 2012, para cerca de 13% em 2016. Só neste ano, já foram feitos 5498 funerais sociais na capital”, diz a prefeitura de Curitiba.

Enterrados

Por meio de nota, após a reportagem da Banda B, o IML afirmou que irá enterrar os corpos que permanecem empilhados:

Após contato feito na manhã desta quarta-feira (27), o Serviço Funerário Municipal informou que serão abertas vagas no Cemitério Zona Sul para que os corpos não reclamados no Instituto Médico-Legal (IML) de Curitiba sejam enterrados. Os procedimentos necessários serão feitos ao longo dos próximos dias.

A direção do IML Curitiba informa ainda que não tem registro formal de chamada para ir buscar o corpo que estaria no Pronto Atendimento do Alto Maracanã, em Colombo.

Sair da versão mobile