Contra fascismo e preconceito, Marcha das Vadias movimenta Centro de Curitiba; fotos


Por Marina Sequinel e Flávia Barros

1/2Furacão não saiu do zero a zero com a equipe catarinense na Baixada (Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo)
2/2Fabiano Soares quer equipe tendo mais cautela na hora de finalizar (Geraldo Bubniak/AGB)

(Fotos: Flávia Barros – Banda B)

A Marcha das Vadias reuniu centenas de pessoas na Praça 19 de Dezembro, no Centro de Curitiba, na manhã deste sábado (9). Elas se concentraram no local e seguiram até a Boca Maldita, ponto final da movimentação.

Segundo Jussara Cardoso, uma das organizadoras do evento, a 6ª edição tem como principal objetivo combater o preconceito e o fascismo. “Essas coisas estão dentro da gente e precisamos desconstruí-las. A Marcha das Vadias acontece em mais de 200 países todo ano desde 2011 e vem para falar sobre a culpabilização da vítima em casos de violência, principalmente sexual”, explicou ela em entrevista à Banda B.

A Marcha defende que as mulheres não podem ser consideradas responsáveis quando são violentadas. “Nesses casos, na maioria das vezes, as pessoas perguntam para a vítima ‘mas que roupa você estava vestindo?’ ou ‘por que você bebeu?’. Isso nunca é uma justificativa para o estupro. A culpa não é da mulher, mas essa é uma ideia que existe na sociedade devido ao machismo e à cultura do patriarcado”, completou.

Em relação ao ato de se despir, Jussara declarou que é uma forma de chamar a atenção. “Eu sempre provoco as pessoas e questiono: se a mulher não pode tirar a camiseta na rua, que outras coisas ela não pode fazer? E por que o meu peito choca mais do que os dados sobre a violência? No Brasil, uma mulher é estuprada a cada 11 minutos. Isso é absurdo. Nós queremos combater o tratamento desigual”.

O evento teve quatro paradas, para defender também as mulheres negras, trans, lésbicas e bissexuais, e tratou de assuntos como o estupro e o aborto.

Origem

A Marcha das Vadias surgiu no Canadá em 2011. Após uma onda de estupros ocorridos na Universidade de Toronto, um policial, convidado para orientar sobre segurança, afirmou que as mulheres poderiam evitar os abusos se “não se vestissem como vadias”.

A declaração gerou indignação e diversos protestos que resultaram na primeira Marcha. O movimento, que se espalhou pelo mundo, questiona a cultura de responsabilizar as mulheres em casos de agressão sexual.

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