Centrão estará junto com Bolsonaro nas eleições 2022?

Presidente fez alianças políticas que foram fundamentais para aprovação de projetos de interesse do governo

Francis Ricken

O governo Bolsonaro aderiu ao centrão desde agosto de 2020, quando das escolhas de Ricardo Barros (PP/PR) para a Liderança do Governo, o apoio a eleição do Deputado Arthur Lira (PP/AL) para a Presidência da Câmara e a indicação do Senador Ciro Nogueira (PP/PI) para a Casa Civil.

Três figuras políticas fundamentais para aprovação de agendas caras ao Governo Bolsonaro, que na metade de 2020 sofria com constantes rejeições de proposições encaminhadas ao Congresso Nacional e com uma ameaça diária de impeachment. Com a inclusão desses políticos de forma mais institucionalizada a base aliada do Governo, as articulações com o Congresso Nacional se tornaram mais tranquilas e mais institucionalizadas.

Foto: Agência Brasil

É óbvio que políticos experientes e com certa vivência dentro de partidos com base no Congresso Nacional, facilitariam as coisas para um Presidente desastrado e incapaz de fazer boas articulações políticas. Tanto funcionou que o Presidente Bolsonaro resolveu se filiar a um partido pertencente ao centrão, o Partido Liberal, capitaneado por Waldermar Costa Neto.

O Presidente Bolsonaro, agora candidato a reeleição, observou no centrão o local para colocar sua campanha política na rua em 2022, e como sempre foi próximo desses partidos, se sentiu à vontade para estabelecer novas alianças.

O centrão é um grupo de partidos políticos relevantes para a governabilidade, sem esse grupo, dificilmente o Chefe do Poder Executivo tem condições de manter uma quantidade razoável de votos favoráveis aos seus projetos no Poder Legislativo.

Se fossemos colocar no papel, a presença de partidos políticos de centro são fundamentais para o estabelecimento de um governo estável, é só observar as alianças realizadas pelos últimos Presidentes, todas elas contavam com os partidos do centrão para manter as maiorias na Câmara e no Senado.  Entretanto, o centrão cobra seu preço, por meio de participações nos governos, com cargos, aprovação de emendas e apoios necessários para arranjos políticos nos Estados e Munícipios.

Uma das características do centrão é de que boa parte dos partidos que pertencem a esse grupo não tem um posicionamento de “centro”, mas sim uma posição de apoio irrestrito a quem está no Poder. Eles são excelentes aliados quando o Governo está “voando”, quando as coisas andam bem, do contrário, são os primeiros a abandonar o navio. Outra situação muito comum entre os partidos do “centrão” é não ter uma ideologia política clara, são partidos e parlamentares que precisam surfar a onda dos vitoriosos, sem essa onda eles tem dificuldade de se manter no poder.

Além disso, são parlamentares que costumam mudar de posição quando observam dificuldades eleitorais em campanhas de nacionais para Presidente. A prova disso foi a eleição de Bolsonaro em 2018, que no início da campanha andava com poucos aliados, mas ao final daquela eleição tinha “parceiros” políticos inimagináveis.

Outro dado que chama a atenção são as pesquisas que indicam uma colossal rejeição ao Presidente Bolsonaro e a condução de seu governo. Com números tão significativos, temos condições de afirmar que a reversão desse quadro se torna difícil. Além disso, alguns movimentos ao em torno da invisível “terceira via”, pode fragmentar o apoio ao candidato Bolsonaro, tornando sua vida extremamente complicada. 

O candidato Bolsonaro ganhou aliados importantes para a eleição 2022, quando voltou ao centrão e se filiou ao PL, mas não conte com esse apoio até o final da campanha eleitoral, se por um acaso os números de intenção de votos não caminharem bem nas primeiras semanas. Pode ser que esses pretensos aliados mudem de lado e passem a surfar a onda dos vencedores, um indício muito claro de que o centrão é o primeiro a abandonar o navio quando a água começa aparecer.

Francis Ricken, é advogado, mestre em Ciência Política (UFPR) e professor da Escola de Direito e Ciências Sociais da Universidade Positivo (UP).

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