Casos suspeitos de relação com o ‘Baleia Azul’ estão concentrados em apenas uma região de Curitiba


Por Luiz Henrique de Oliveira e Antônio Nascimento

Os oito adolescentes que foram internados na rede pública de Curitiba nas últimas horas, após tentativas de suicídio e automutilação, são moradores da região Sul da cidade. A informação foi confirmada na manhã desta quarta-feira (19) pelo secretário Municipal de Saúde, João Carlos Baracho. Dos atendimentos, quatro aconteceram praticamente na mesma hora na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Sítio Cercado.

(Foto: Reprodução)

“Nós presenciamos, na UPA Sítio Cercado, quatro casos seguidos de tentativa de suicídio, seguindo o mesmo tipo de padrão: uso excessivo de medicamento e automutilação. Isso nos faz pensar na relação com o jogo Baleia Azul. Os casos até agora estão concentrados entre a região do Tatuquara e o Boqueirão”, descreveu o secretário.

Ainda durante a entrevista, Baracho deu uma orientação aos pais curitibanos. “O alerta é principalmente para que os pais entendam que  ter o adolescente dentro de casa, mas com acesso a computador e Smartphone, não quer dizer segurança. Dialogo se faz fundamental e também cuidado no tratamento deste assunto com o filho”, disse.

Com relação ao tato, para o secretário não basta apenas punir. “Não adianta censurar ou punir, tem que se abrir um dialogo para que haja uma relação de confiança”, concluiu.

Investigação

A Prefeitura está desenvolvendo atividades de prevenção ao suicídio nas escolas com estudantes adolescentes, faixa etária alvo do jogo. A ação envolve as secretarias municipal e estadual de Educação.

No “jogo” Baleia Azul, os adolescentes relatam receber mensagens em redes sociais com tarefas a serem cumpridas. Nas conversas, um grupo de organizadores, chamados “curadores”, propõe 50 desafios macabros aos adolescentes, como fazer fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se desenhando baleias com instrumentos afiados no corpo e ficar doente.

O Baleia Azul começou como “fake news” (notícia falsa) divulgada por um veículo de comunicação estatal da Rússia e se espalhou a partir de 2015. Mesmo sendo fake news, a notícia gerou um contágio, principalmente entre os jovens. De acordo com especialistas, o jogo não existia, mas com a grande repercussão da notícia, pode ter passado a existir.

A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) investiga os casos.

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