Por Elizangela Jubanski e Djalma Malaquias
Cerca de cem alunos e professores do Instituto Federal do Paraná (IFPR) bloquearam a rua João Negrão, esquina com a avenida Iguaçu, no Centro de Curitiba, na manhã desta segunda-feira (24). Eles estão protestando contra a falta de segurança na região e contra os constantes assaltos a estudantes e professores que acontecem – segundo eles – quase diariamente. A ideia é que o grupo fique no local até as 13 horas. O trânsito está totalmente bloqueado e agentes da Secretaria do Trânsito (Setran) auxiliam no tráfego.
A professora Ísis Moura Tavares é uma das organizadoras do evento e disse que já recebeu alunos chorando em sala, logo após um assalto. “Desde que a gente se mudou para cá sofremos assaltos diários, são adolescentes, adultos, de manhã, à tarde e à noite. É de chegar aluno sem sapato, sem mochila, sem celular, engolindo o choro na sala de aula e isso é extremamente constrangedor para quem está na sala de aula. A região é muito complicada e a gente está aqui pedindo socorro e manifestando nossa insatisfação. Alguém tem que fazer alguma coisa”, defende a professora.
A adolescente de 16 anos Ana Maria cursa Mecânica na IFPR e também se juntou ao movimento para protestar. “Tive que sair correndo. A gente tem muito medo de vir para aula, tem colega de deixa de participar de eventos, de outros cursos, porque fica tarde e tem medo de ser assaltado. Esses dias, duas meninas foram assaltadas por sete homens, isso é muito preocupante. A maioria das vezes estão com armas, facas, dá muito medo. Algo pior pode acontecer, não tem horário para os assaltos”, disse.
Segundo os manifestantes, os horários mais críticos são os da entrada e da saída. Alunos têm montado grupos para que não saiam sozinhos pelas ruas, no entanto, essa medida paliativa não é a ideal. Integrante do Grêmio Estudantil, Marina Persegani, alega que muitas coisas estão sendo feitas para coibir as ações dos bandidos, mas a situação está incontrolável. “Não importa as medidas de precaução que tomemos, parece que nada adianta. Ir para a aula até mesmo em horários de grande movimento está se tornando algo cada vez mais amedrontador. A direção do campus já procurou a polícia diversas vezes e, infelizmente, nada foi feito. O medo corre à solta e não passamos semana sequer sem algum relato de que alguém foi assaltado. E o que é pior: o campus está localizado a uma quadra do quartel central da polícia militar”, desabafa a estudante.
Há registro de congestionamento nas ruas que cortam a João Negrão. O trânsito está intenso e a orientação do Setran é que motoristas evitem a região, até a finalização do protesto.