Por Felipe Ribeiro

UPA Fazenda Rio Grande é unidade que mais sofre com a ausência dos profissionais (Divulgação)

Por causa de atestados ‘suspeitos’, a Prefeitura de Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba, abriu processos administrativos contra alguns médicos que atuam na cidade. Os investigados recebem salários de até R$ 24 mil e, por mais de uma vez, apresentaram atestados médicos como justificativa de falta em um mesmo mês. A questão, segundo a administração municipal, é que todos esses documentos foram apresentados justamente em dias de plantão, o que provocou dificuldades de atendimento à população da cidade.

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Rejomar Andrade, o assunto é bastante complexo de se comentar, já que pode dar a entender uma suposta perseguição aos profissionais. “De modo algum estamos fazendo isso. Temos plena consciência de que é uma minoria, mas que, de maneira corriqueira, tem aplicado esses atestados. O próprio Ministério Público já os chamou para conversar e precisamos saber o motivo disso estar acontecendo. O que nos causa estranheza é o médico que, num mesmo mês, apresenta quatro, cinco atestados, justamente no dia de plantão dele”, disse Andrade em entrevista ao radialista Geovane Barreiro.

O secretário confirma que os médicos envolvidos atuam na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da cidade e recebem salários de até R$ 24 mil. Como exemplo, Rejomar cita um dia em que três médicos deveriam atuar no local, mas apenas um dois profissionais apareceram para o trabalho, o que provocou dificuldades para a pasta municipal.

Rejomar explica que o objetivo da investigação é para valorizar a profissão e o cargo. “É muito desmotivador você cumprir todos os horários ao mesmo tempo em que um colega não vem. Sabemos que muitos profissionais trabalham bem e é por esses que precisamos primar. Não queremos dizer que uma pessoa não possa ficar doente, às vezes há stress dentro da própria unidade e é isso que queremos ver”, afirmou.

A Prefeitura de Fazenda Rio Grande garante que todos os profissionais envolvidos na investigação terão direito a ampla defesa no decorrer do processo.

A Banda B entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina (CRM), que informou que ainda não recebeu comunicado oficial sobre o processo nem por parte dos médicos, nem por parte da Prefeitura de Fazenda Rio Grande. O Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar) também informou que irá aguardar a instalação do processo para se pronunciar.

Biometria

Em cerimônia no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (13), o governo federal anunciou que o Ministério da Saúde vai usar a biometria para controlar a jornada de trabalho dos médicos que atuam na rede pública. A ideia é adotar o sistema em todas as unidades básicas de saúde para acompanhar horas trabalhadas. “Vamos parar de fingir que a gente paga médicos, e o médico parar de fingir que trabalha. Isso não está ajudando a saúde no Brasil”, disse o ministro Ricardo Barros.