Após passar horas à espera de consulta, mulher com dor no peito morre na porta de UPA


Por Elizangela Jubanski e Antônio Nascimento

Uma mulher de 37 anos morreu na porta da Unidade de Pronto-Atendimento do Fazendinha, que fica na rua Carlos Klemtz, após passar três horas à espera de uma consulta de emergência na noite desta terça-feira (23). Maria da Luz das Chagas dos Santos sentia dores fortes no peito e na nuca e, já teria ido pela segunda vez na UPA em menos de uma semana. Segundo a família, uma profissional da saúde teria dito a ela: “A senhora sente e espere porque ainda tem 50 pacientes na sua frente”. Maria da Luz se sentou, mas não conseguiu esperar.

Maria da Luz já tinha ido ao médico, também com dores no peito, na mesma UPA. Foto: Arquivo pessoal

O marido José Vilson dos Santos contou, em entrevista à Banda B, que o casal chegou na UPA por volta das 19 horas. Ela estava com fortes dores no peito, na nuca, falta de ar e dor de cabeça. “Ela fez a triagem, a gente estava esperando, mas como ela estava com muita dor, a gente levantou e estava indo comprar um remédio para ela na farmácia ali na frente, mas não deu”, descreveu o marido.

Nesse momento, por volta das 23 horas, enquanto o casal caminhava, a mulher caiu no chão. Para os médicos e enfermeiros da UPA, a mulher estava fora da unidade e, por isso, não poderiam atendê-la. Já a Central das Ambulâncias afirmava que não poderia deslocar um carro para atender a mulher, já que ela estava em frente a UPA. “Eu estava na porta do 24 horas, ela caída, e fizeram a gente ligar para a central das ambulâncias. Na central, ele disseram que tinha que ser no 24 horas. Ficaram nesse joga a joga e eu perdi minha esposa”, lamenta o marido, que trabalha como vigilante.

Maria da Luz faleceu na porta da UPA, cerca de três horas após chegar no local. A irmã Daniela Troiano estava revoltada com toda a equipe médica. “As enfermeiras quase mandaram ela calar a boca e parar de falar que estava doente. Passou pela triagem e lá ficou esperando, mas falaram que ia demorar, mesmo. Fizeram pouco caso dela”, disse.

Ainda, de acordo com a irmã, Maria da Luz teria ido na mesma UPA, na semana passada, também com dores no peito e na nuca. “O médico deu paracetamol para ela e a mandou pra casa. Isso é um absurdo. Ontem voltou de novo e olha o que aconteceu?”, finaliza. Maria da Luz morava no Itatiaia e deixou, além do marido, quatro filhos.

Prefeitura

A Banda B entrou em contato com a Prefeitura de Curitiba e recebeu o seguinte retorno, na íntegra:

“A Secretaria Municipal da Saúde vai instaurar um procedimento administrativo para investigar o ocorrido durante o atendimento à paciente Maria da Luz das Chagas dos Santos nesta terça-feira (23) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 Horas Fazendinha.
Neste momento de luto, a Secretaria da Saúde de Curitiba se solidariza com a família, compartilhando da dor e consternação, e informa publicamente que fará todas as investigações necessárias para apurar os fatos. Todos os documentos pertinentes ao caso serão anexados ao processo para futura divulgação.

O procedimento administrativo tem prazo de 30 dias para apresentar conclusões à Secretaria de Saúde. Deverão ser ouvidos os profissionais da equipe de saúde que atenderam a paciente e ainda familiares que a acompanhavam”.

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