Por Denise Mello,  Antonio Nascimento e Djalma Malaquias

boquera1Estação-tubo da Praça Carlos Gomes hoje pela manhã – Foto: Antonio Nascimento/Banda B

Curitiba e as cidades da região metropolitana amanheceram nesta terça-feira (1º) com greve parcial de ônibus. Algumas linhas estão 100% paradas, em outras a greve é parcial, mas há várias linhas circulando normalmente. A situação é mais crítica neste início da manhã na Região Sul, principalmente nas linhas do Boqueirão. De acordo com o diretor de transportes da Urbs, Daniel Andreata, 40% dos ônibus circulam nesta região hoje de manhã. Até as 7 horas não havia um ônibus sequer na canaleta entre o bairro e a Praça Carlos Gomes, no Centro. Mas, segundo o diretor, nas demais linhas, os ônibus circulam normalmente.

“A situação é mais crítica apenas na região Sul, mas já remanejamos alguns ônibus na linha Boqueirão e acreditamos que até as 10 horas todo o sistema seja restabelecido. Posso garantir que todo o dinheiro do 13º salário foi depositado, inclusive com um pagamento a mais da Urbs, que mantém as contas em dia com as empresas, para que todos tenham o dinheiro na conta hoje até as 10 horas”, garantiu Andreata.

Em Almirante Tamandaré (RMC), até às 7 horas a paralisação era total . A partir deste horário, alguns ônibus começaram a circular. O terminal do município ficou lotado de passageiros sem saber o que fazer. A greve é parcial (cerca de 50%) em Araucária e Campo largo (RMC). As empresas Tamandaré e Antonina e também a Cidade Sorriso não fizeram o pagamento da 1ª parcela do 13º salário nesta segunda-feira (30). A empresa Carmo pagou e os ônibus saíram com atraso, mas circulam. Já os ônibus da empresa CCD saíram com atraso, mas como o pagamento não foi feito, os motoristas e cobradores ameaçam parar a partir das 10 horas desta terça, caso o dinheiro não caia na conta.

Ontem, após quase 11 horas de audiência no Ministério Público do Trabalho do Paraná (MPT-PR), motoristas e cobradores do transporte público de Curitiba e região metropolitana decidiram fazer uma greve parcial nesta terça-feira. De acordo com o Sindicato que representa os trabalhadores (Sindimoc), a partir da meia-noite empresas que não cumpriram com a primeira parcela do 13º salário teriam as atividade paralisadas, o que se confirmou hoje.

O impasse perdurou até por volta das 21 horas por causa do pagamento parcial feito à categoria. Para a imprensa, o ouvidor municipal Clóvis Augusto Veiga da Costa confirmou que as empresas já tinham arcado com o valor de 85% da primeira parcela do 13º salário. “O que temos definido é que está pago 85% do 13º salário, restam 15 e diante das negociações esse restante será pago até o meio-dia de amanhã. É um direto assegurado por lei esse pagamento no dia 30 de novembro e, além disso, o sindicato dos trabalhadores alega que esses atrasos se tornaram constantes durante todo o ano, isso deixa a negociação com entraves. O presidente quer uma garantia”, finalizou Costa, em entrevista ontem.

Entretanto, representantes do Sindimoc defendem que o valor de 85% já quitado, pode afetar trabalhadores não apenas nessa porcentagem, já que algumas empresas efetuaram pagamento de 100% da primeira parcela do 13º, enquanto outras apenas 20% e 30%, segundo o Sindimoc.

Linhas

Entre as linhas afetadas pela greve desta terça-feira estão as da empresa Sorriso, que conta com mais de mil trabalhadores, atendendo toda região Sul de Curitiba, e outras regiões. Ela está responsável pelas linhas Pinheirinho/Rui Barbosa, Santa Cândida/Capaz Raso, Inter 2, Interbairros 3, entre outras. A paralisação nesta empresa hoje era total até às 7 horas.

Em São José dos Pinhais a paralisação afeta as linhas metropolitanas e urbanas de forma parcial, da antiga empresa Carmo.. Em Almirante Tamandaré a greve era de 100% até às 7 horas, depois parcial. E em Campo Largo e Araucária de 50%. Nos demais municípios a informação inicial é de que as linhas estão circulando hoje.

As negociações devem ser retomadas na manhã desta terça-feira (1º).  As linhas que pagaram o 13º normalmente estão circulando.

Empresas

Por meio de nota, o Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) afirmou que parte dos valores devidos aos trabalhadores foi paga com o intuito de evitar a greve. Segundo eles, esse valor não está contemplado na tarifa.

“No entanto, infelizmente parte desse dinheiro repassado pela Urbs foi recebida pelas empresas após o expediente bancário, o que impossibilitou o pagamento a todos os trabalhadores nesta segunda-feira (30). De modo geral, 85% dos valores devidos foram pagos por todas as empresas de transporte urbano ainda hoje, com a previsão de pagamento do restante amanhã, conforme compromisso de repasse da Urbs”, informou.