Sete anos depois do tiro na cabeça que matou o torcedor do Paraná Clube, Diego Henrique Raab Gonciero, de 16 anos, em frente à sede da organizada paranista, três torcedores do Athletico Paranaense, acusados de serem responsáveis pelo crime, irão a júri popular nesta quinta-feira (12). O advogado Cláudio Dalledone, que faz parte da equipe de defesa dos três acusados por homicídio, afirmou que o inquérito policial é ‘canalha’ e que não existem provas contra os envolvidos.

Juliano Rodrigues, o Suk, é um dos réus que vai a Júri Popular. Dalledone critica laudo que aponta arma de Suk com a usada no crime (Foto: Reprodução)

 

“Não existem provas. Há um inquérito canalha e uma falsa perícia, com questões direcionadas a atender apenas o interesse de poucos. É um direcionamento absurdo. Não existem provas, mas especulação para atender interesses do dinheiro de torcidas organizadas. O júri será uma oportunidade de se lavar roupa suja. Vamos discutir muita coisa ali”, disse Dalledone, em entrevista à Banda B na manhã desta quinta-feira (12).

O advogado criticou a forma como o inquérito foi direcionado pela Demafe (Delegacia de Futebol e Eventos), afirmando que tudo será esclarecido durante o julgamento. “Temos detalhes importantes sobre o caso e vamos dar uma repaginada em tudo que a Demafe extraiu e tentou passar ao grande público. Vamos desmarcar ali algumas questões de pontos que são inverídicos. Iremos abalar algumas certezas neste inquérito. As coisas não aconteceram destas maneiras”, garantiu.

Juliano Rodrigues, o Suk, Fábio Marques, conhecido como “Barba Ruiva”, e Gilson da Silva Teles, são os réus no processo por homicídio e, na época, eram ligados à torcida organizada do Athletico Paranaense, Os Fanáticos. Os dos primeiros chegaram a ser presidentes da instituição.

Dalledone aponta que a falsa perícia está relacionada a arma de Juliano Rodrigues. “Nós temos uma perícia falsa dentro dos autos, dizendo que a arma do Juliano foi usada para disparar contra o Gonciero. Vai ser um grande júri, que pode se estender até sábado. Ao meu ver, essa acusação está sempre consignada no dinheiro, no lucro, porque existem verdadeiras raposas em pele de cordeiro se dizendo inocentes”, concluiu.

Outro lado

Gonciero era integrante da bateria da Fúria Independente, torcida organizada do Paraná Clube. Marques, de acordo com a Demafe, assumiu a autoria do assassinato e antes do caso já possuía ficha criminal. A defesa nega que ele tenha confessado.

O assistente de acusação Rodrigo Faucz, que representa a família da vítima, afirma que a expectativa para o julgamento é que a justiça seja feita. “Foram 7 anos de processo e finamente esperamos que justiça seja estabelecida. A família do Diego espera que finalmente a sociedade curitibana possa dar uma resposta no sentido de responsabilizar aqueles que tiraram a vida de um adolescente por motivo tão fútil e banal”, disse o advogado.

Com relação as acusações de Dalledone com relação ao inquérito, a assessoria da Polícia Civil do Paraná (PCPR) informou, por meio de uma nota, que “não comenta afirmações que fazem parte da estratégia de defesa de réu, em processo judicial sob a titularidade do Ministério Público”, esclareceu na nota.

A Polícia Civil do Paraná (PCPR)

O crime

O assassinato teria ocorrido devido a rixas existentes entre torcidas organizadas, tanto de Atlético e Paraná Clube, como entre a Gangue da Ilha e da Torcida Jovem, ambas do Sport, clube de Pernambuco.

No dia do crime, 30 de junho de 2012, jogavam em Curitiba, no Couto Pereira, Coritiba e Sport. Membros da Gangue da Ilha vieram até a cidade e foram recebidos com festa e churrasco por integrantes da Fanáticos, sua aliada. O mesmo ocorreu com os integrantes da Torcida Jovem, que foram recepcionados por membros da Fúria.

Por volta de 12h30, integrantes da Fúria e da Torcida Jovem faziam um churrasco na sede da organizada do Paraná Clube, próxima à Vila Capanema, momentos antes de irem ao jogo, no estádio. Três carros passaram atirando contra eles e atingiram o adolescente de forma fatal.