Advogado das empresas de ônibus de Curitiba e ex-diretor da Urbs são presos em operação do Gaeco


Por Felipe Ribeiro e Luiz Henrique de Oliveira

Um advogado do Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) e um ex-diretor da Urbs estão entre os presos da Operação Riquixá, deflagrada nesta quarta-feira (29) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). De acordo com o Ministério Público do Paraná (MP-PR), a operação investiga a existência de um organização criminosa no segmento de concessão do serviço e os alvos das operações estão ligados a processos de Maringá, Guarapuava e Brasília. Alguns dos presos, porém, possuem ligação com a família Gulin e o transporte coletivo da capital paranaense.

Alvos principais da operação estão em Maringá e Guarapuava (Foto: Prefeitura de Maringá)

“Por hora vamos analisar o que foi apreendido para confirmar ou não a manipulação da concorrência em processos licitatórios. Pelo que apuramos, as empresas queriam participar e davam palpites nos próprios editais, embora tivessem sido contratadas outras empresas para abrir o processo”, explicou.

As investigações, iniciadas em 2013, indicam que integrantes de empresa de engenharia especializada em transporte coletivo, advogados e representantes de empresas de ônibus formam o grupo criminoso, que utiliza “laranjas” e formações societárias complexas para ocultar a existência do grupo econômico.

A Riquixá conta também com o apoio do Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria) de Guarapuava. De acordo com o Gaeco, indícios apontam que a organização criminosa age pelo menos desde 2009, cooptando agentes públicos para a prática dos crimes. Com a participação dessas pessoas, o grupo obtém meios de remunerar ilicitamente, com dinheiro público, a organização das fraudes concorrenciais, contratando componentes do grupo criminoso para prestar assessorias simuladas ou substituir comissões de licitação.

“Não há duvidas que os dois grupos empresariais investigados interferiram no procedimento, para que a licitação estivesse de acordo com seus interesses. O aspecto essencial é de que a lei de licitações foi feita com objetivo de que todos que tenham condições possam realizar um serviço para a prefeitura, assim como para que a administração pública possa contratar um serviço que se encaixe melhor no que busca a um preço menor”, concluiu.

O cumprimento dos mandados aconteceram em Guarapuava, Foz do Iguaçu, Maringá, Ponta Grossa e Curitiba, bem como em cidades de Santa Catarina e São Paulo e também no Distrito Federal, com apoio do Gaeco desses locais.

Sair da versão mobile