A abordagem social feita pela Fundação de Ação Social (FAS) no último dia 2 mudou a vida de Jeferson Pereira de Oliveira, 30 anos. Ele foi encontrado pela equipe morando em uma barraca, acompanhado da mulher, na Rua Engenheiros Rebouças, em frente ao Estádio do Paraná Clube.

(Foto: SMCS)

 

Durante a conversa, o casal explicou que estava na rua por causa de uma série de problemas provocados, principalmente, pela crise da covid-19 e que precisava de uma oportunidade.

A equipe, comandada pela coordenadora de Atenção à População em Situação de Rua da FAS, Vanessa Resquetti, encaminhou o casal para fazer documentação e Oliveira para uma entrevista de emprego. Poucas horas depois, ele foi contratado pela empresa que presta serviço para a Prefeitura de Curitiba e, no último dia 4, começou a trabalhar como cuidador na unidade municipal Jardim Botânico, que acolhe pessoas em situação de rua.

“Eu estou gostando muito. É uma forma de retribuir a oportunidade que me deram”, diz Oliveira. “Antes eu era ajudado e hoje eu ajudo as pessoas. Tem pessoas que conheceram a gente na rua e agora dizem que se sentem motivados a mudar de vida”, conta.

Tarefas diárias
Na unidade de acolhimento, Oliveira serve o café para os acolhidos, dá banho nos idosos e também naqueles que chegam sem condições de fazer a higiene sozinhos.

Contratado com carteira assinada, ele receberá uma salário mínimo regional, mais vales alimentação e transporte. Enquanto o primeiro salário não sai, Oliveira está acolhido em um dos hotéis sociais do município, enquanto a esposa está na Casa da Mulher, unidade da FAS que acolhe mulheres em situação de rua.

“Nos vemos todos os dias, mas assim que meu salário sair queremos alugar um quarto para podermos ficar juntos de novo”, planeja o homem.

Reviravolta

Oliveira trabalhava como vidraceiro, mas com a crise provocada pela pandemia da covid-19, acabou sem emprego. Para ganhar dinheiro, foi trabalhar como ajudante de pedreiro. Por causa de um problema com a Justiça, Oliveira precisou abandonar o serviço e a mulher, desempregada não conseguiu manter em dia o aluguel da casa em que moravam. “Ela tentou levantar dinheiro vendendo espetinho de carne e máscaras de tecido”, conta.

Dois meses depois ao retornar para casa, Oliveira não tinha serviço e nem onde morar. “Decidimos que a única saída era ir para a rua”, explica o homem.

Oliveira e a mulher viveram nas ruas por seis meses. Neste período, para ganhar dinheiro, o casal vendia balas em dois locais da cidade, um no bairro Capão Raso e outro no Centro. Na hora do almoço costumavam ir à Praça Solidariedade – complexo criado pela Prefeitura para oferta de vários serviços para a população em situação de rua – para se alimentar, tomar banho e lavar as roupas.