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Com a queda nos níveis dos principais reservatórios do país, é evidente a preocupação com a falta de água em todo o pais. Enquanto isso acontece, o consumo de energia elétrica tem apontado em uma direção completamente oposta e o consumo de energia já superou o patamar pré-pandemia. Quem mostra é a pesquisa da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
O consumo total de energia no país cresceu no mês de junho em relação ao mesmo período no ano passado. O aumento foi de 12,5%, enquanto o setor industrial expandiu em 19,4%. O uso da eletricidade subiu em 7,7%, dados que preocupam já que há risco constante de desabastecimento de água no Brasil.
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De acordo com o Engenheiro Civil, mestre em Recursos Hídricos e Saneamento e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) Carlos Garcias, o Brasil vive uma condição um pouco diferente quando se fala em energia, já que a esmagadora maioria da população se concentra em ambientes urbanos.
Com mais pessoas vivendo nas cidades, o aumento de demanda de serviços que envolvem energia é inevitável. A partir disso, há maior dificuldade em suprir as necessidades das pessoas, o que pressiona o setor energético.
“A pandemia extravasou nossas previsões. O mercado exige concentração e velocidade para que a gente se recupere economicamente e para que a sociedade tenha equilíbrio”, diz
Na visão do professor, essas questões estão diretamente relacionadas a falta de investimentos no setor energético ao longo dos anos. Desde o último apagão no Brasil, que aconteceu em 2001, o país não mudou seu perfil no modo de lidar com a energia.
Naquele ano, cerca de 85,6% de toda a energia no Brasil era gerada em hidrelétricas (298,6 TWh de um total de 348,9 TWh). Além disso, o país enfrentou uma estiagem histórica e a consequente baixa no nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Carlos destaca que houve um aumento de demanda, mas a oferta não foi alterada no setor energético brasileiro.
“Continuando esse risco de falta de água vai acontecer a mesma coisa que em 2001”, explica o professor
Outro fator apontado pelo especialista como causa do aumento do consumo de energia está no fato de mais pessoas estarem ficando em casa. Além do isolamento, a população também está com menos dinheiro para gastar. “Esse é um grande desafio social”, afirma.
Carlos ainda destaca que as contas de energia devem continuar tendo aumentos periódicos ao longo do tempo. A principal razão está no fato de que o Brasil é dependente da cotação do dólar para adquirir combustíveis como petróleo e gás de cozinha.
“Na energia nós já temos esse problema, que vai complicar mais em razão da crise hídrica”, ressalta
Risco de racionamento de energia
De acordo com Carlos Garcias, se as tendências não se alterarem no Brasil, há risco de racionamento de energia no país. Ele explica que os sistemas hídrico e energético são interligados e a maioria das regiões está acostumada a viver com o equilíbrio de águas dos rios.
Por isso, questões como a falta do uso racional das energias, pressão por custo e não ter água para gerar energia podem vir a ser problemas ainda maiores no futuro.
Em outras palavras, a água dos reservatórios abastece as hidreelétricas, que correspondem a mais de 75% das fontes de energia no país. A energia solar só é mais usada no Norte do Brasil. “Só a geração de hidrelétrica não é suficiente para abastecer o Brasil”, ressalta Carlos.
Economizando água
Apesar de não mudar o modo como lida com o setor energético, a tecnologia evoluiu muito com o passar dos anos no Brasil. Para o professor Carlos, a indústria transformou o processo de produção e, com isso, produtos que economizam água em casa foram criados. Além disso, também surgiram campanhas de racionamento. “Toda a campanha para as pessoas economizarem água está amarrada também com a questão energética”, explica.
Na visão do especialista, a campanha nacional para economizar água ainda tem um alcance pequeno. Por isso, ele pede que a conscientização sobre o uso racional também seja aplicada a energia.
Uso racional da energia
Em relação ao uso racional da energia, o professor Carlos é enfático em afirmar que a sociedade como um todo precisa estar envolvida nesse processo. Segundo o especialista, os governos poderiam tomar medidas para facilitar o acesso a novas formas de gerar energia, como por exemplo, investir em um programa de financiamento para a aquisição de energia solar nas residências e nas fábricas.
Para o engenheiro, esse investimento é mais viável do que aguardar novas obras de usinas energéticas. “Dinheiro para fazer, licitação, as burocracias levam quase 20 anos e nós não temos esse tempo”, afirma. Além disso, Carlos afirma que os governos também devem continuar com o sistema de apoio da energia eólica, que são viáveis e podem ser aprimorados.
“O mercado internacional traz coisas que o brasileiro nem sabe que existe, nós estamos falando em painéis solares e eles estão falando em películas solares”, diz
Congresso vai discutir crise hídrica
Entre os dias 17 e 20 de outubro, a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária (ABES) vai promover o Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental. O evento envolve pelo 3 mil pessoas e será feito pela primeira vez de forma híbrida. Várias empresas, indústrias, produtos e instituições participam do evento.
Por meio de painéis de discussão, palestras e até com a apresentação de inovações, o Congresso vai debater temas importantes da atualidade como crise hídrica, saneamento, sistema de esgoto, drenagem urbana, inundações e até resíduos sólidos urbanos.
Veja como participar e consulte a programação.
