Depois que a Petrobras confirmou que não vai conseguir atender a todos os pedidos de fornecimento de combustíveis para novembro, a preocupação de distribuidoras e de agentes de mercado passou a crescer sobre um possível desabastecimento no Brasil. Com os consequentes aumentos de preço da gasolina, a situação é alarmante para os brasileiros.

Em live feita no Instagram da Banda B na última sexta-feira (29), o economista e professor da Universidade Positivo (UP) Lucas Dezordi disse acreditar que se houver desabastecimento dos combustíveis, a questão deve ser pontual e não a nível geral. Para ele, a tendência é que as grandes distribuidoras comecem a importar combustíveis para que não falte gasolina nos postos.
A Petrobras utiliza desde 2017 uma política de preços batizada de Preço de Paridade de Importação (PPI). A ideia dela é maximizar a rentabilidade da empresa na venda de combustíveis no Brasil, ao mesmo tempo em que permite um mercado competitivo. No entanto, com a alta do dólar, as diferenças entre preço doméstico e internacional aumentaram de maneira substancial.
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De acordo com o professor Lucas, o Brasil se tornou refém dessa importação. Apesar de produzir petróleo acima de suas necessidades, o país tem dificuldades em estabelecer um formato final na entrega dos combustíveis. Com a defasagem em relação aos preços internacionais, a Petrobras precisa de uma forma de equiparar os preços. A solução encontrada pela estatal – até o momento -está em aumentar a gasolina.
Preços internacionais e domésticos podem ser equiparados?
De acordo com o professor Lucas Dezordi, a equiparação do preço doméstico do petróleo com o internacional só deve vir com um dólar mais baixo. Além disso, uma melhoria no cenário político brasileiro também pode trazer maior segurança ao mercado econômico para que a taxa de câmbio fique enfraquecida.
“Não vejo um modo de sairmos dessa política internacional”, afirmou
Para a a Associação das Distribuidoras de Combustíveis Brasilcom – que representa mais de 40 distribuidoras regionais de combustíveis – os cortes unilaterais feitos pela Petrobras nos pedidos feitos para fornecimento de gasolina e óleo diesel colocam o Brasil em potencial de risco de desabastecimento. Essas reduções, em alguns casos, podem chegar a até 50%.
Segundo Lucas, as grandes distribuidoras vão importar do mercado internacional. Apesar dos preços estarem mais elevados, em caso de desabastecimento, a tendência é de importação. Com isso, a pariedade entre os preços precisaria ser paga pelo consumidor.
Congelamento do ICMS
No início da tarde de sexta-feira (29), o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão formado pelos secretários da Fazenda dos Estados aprovou o congelamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que se manterá o mesmo até 31 de janeiro do ano que vem.
O ICMS tem um percentual fixo cobrado sobre combustíveis e está sob responsabilidade dos Estados. De acordo com o professor Lucas, a diferença do preço doméstico e internacional é de apenas 13 centavos. Com isso, o ICMS da gasolina comum, por exemplo, vai subir em torno de quatro centavos.
Impacto no consumidor
Para o professor Lucas Dezordi, novos aumentos nos combustíveis devem vir ao longo das próximas semanas com o intuito de equiparar os preços dos combustíveis. Segundo ele, isso pode acontecer caso o preço do petróleo volte a subir.
“O petróleo foi substituído como geração de energia. Tem uma demanda muito forte para gerar energia. Como a economia mundial vai crescer nos próximos meses? Até fevereiro, março, vamos conviver com uma preocupação com o preço do petróleo”, destaca o professor
Por fim, o economista afirma que se o preço do petróleo aumentar há riscos da gasolina voltar a subir. Com isso, a defasagem entre os preços domésticos e do exterior dependeria de uma melhor situação política no Brasil e do próprio mercado internacional.