Em meio ao avanço do abandono, crueldade e superpopulação de animais nas ruas, o debate sobre microchip e castração se torna um tema ainda mais pertinente não apenas para alertar sobre a importância das medidas, mas também para reforçar o impacto dessas ações na vida e saúde dos cães e gatos.

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Microchip e castração: como métodos oferecem identificação, prevenção e qualidade de vida para pets. (Foto ilustrativa: Freepik).

Especialistas reforçam que a microchipagem e castração são fundamentais para garantir identificação, controle populacional e saúde dos animais, além da identidade dos tutores ou responsáveis.

Segundo a protetora de animais Adri Biega Xica, através de um microchip é possível encontrar animais perdidos e encaminhá-los aos tutores, responsabilizar pessoas por abandono e entender quem é o animal e qual é a condição dele.

Além disso, a médica veterinária Ana Soder reforça que o dispositivo é permanente e permite que o cachorro tenha proteção vitalícia.

Microchip: o que é e para que serve?

O microchip é um pequeno dispositivo implantado exclusivamente por médicos veterinários sob a pele do animal. Ele contém um código numérico que fica vinculado a um cadastro com todas as informações do pet e do responsável por ele. Ana Soder explica que o procedimento é fácil e simples.

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Microchip e castração: como métodos oferecem identificação, prevenção e qualidade de vida para pets. (Foto ilustrativa: Freepik).

“A implantação de microchip é um procedimento rápido e relativamente indolor, semelhante à aplicação de uma vacina de rotina. Pode ser feita durante uma consulta veterinária de rotina e não requer anestesia. A maioria dos animais sente um desconforto mínimo e o processo termina em questão de segundos”

afirma a médica veterinária.

Com esse sistema, quando um animal é encontrado, basta levá-lo a uma clínica veterinária equipada com leitor para que o código seja identificado e os dados acessados para identificação do cão e responsável. Assim, é possível localizar o tutor e garantir que o animal retorne para casa.

“Olha a importância! O animalzinho está perdido, a gente encontra, leva em uma clínica veterinária que vai ter um leitor, vai passar no corpinho desse animal, nas regiões que geralmente são inseridas o microchip, e vai entrar em uma plataforma que vai estar todas as informações”

explica a protetora Adri Xica.

Outro benefício do microchip é que o animal fica protegido pelo resto da vida. Segundo Ana Soder, animais com microchip também são menos atraentes para ladrões, já que o dispositivo permite o rastreamento para localizar o dono.

“Animais roubados são frequentemente vendidos ou levados para longe de suas casas, aumentando a dificuldade de localizá-los. O microchip fornece prova incontestável de propriedade”

explica.

Diante de abandonos e maus-tratos, o mecanismo também apresenta outra função importante: responsabilização. Caso uma pessoa abandone o animal, o cadastro permite identificar quem cometeu o ato através dos dados.

A implantação do microchip pode ser feita em clínicas veterinárias particulares ou gratuitamente por meio de mutirões e campanhas de castração promovidos por prefeituras.

Castração: saúde, controle e prevenção

Se o microchip identifica e organiza a situação de um animal, a castração atua diretamente na raiz do problema: a superpopulação. O que, segundo Adri Xica, é um tema que precisa ser refletido com seriedade para encontrar uma solução eficaz.

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Microchip e castração: como métodos oferecem identificação, prevenção e qualidade de vida para pets. (Foto ilustrativa: Freepik).

Como protetora de animais que lida diariamente com casos de abandono, Adri destaca a importância do procedimento. O número de animais nas ruas é maior do que a capacidade de acolhimento. Não há lares suficientes para todos, segundo ela.

A médica veterinária, entretanto, explica como funciona o procedimento da castração e quais são os cuidados necessários para realizar a cirurgia do pet.

“Os métodos cirúrgicos mais utilizados para este procedimento são ovariosalpingohisterectomia (OSH), onde ocorre a remoção do útero e ovários das fêmeas, e orquiectomia, que é a extração de ambos os testículos dos machos. Após a cirurgia, é importante que o pet utilize um macacão ou colar para proteger os pontos, e deve-se ter cuidado para que ele não faça muito esforço ou atividades físicas durante o período pós-operatório, que leva de 7 a 10 dias até a retirada dos pontos”

reforça a veterinária.

Além de evitar a superpopulação, a castração também protege a saúde. Segundo Ana Soder, em fêmeas, reduz significativamente o risco de câncer de mama, útero e ovário e previne a piometra — infecção uterina que pode levar à morte. Em machos, diminui as chances de câncer de testículo e doenças na próstata.

Organizações e protetores pedem apoio da população para oferecer lar temporário por cerca de 10 dias no período pós-operatório.

Segundo Xica, a superpopulação nas ruas é um desafio coletivo. A parceria entre sociedade e poder público, com cada um cumprindo seu papel, é apontada como o caminho para reduzir o abandono, o sofrimento e construir uma convivência mais equilibrada entre pessoas e animais.

Benefícios da castração

A castração também reduz comportamentos associados à disputa e fuga, contribuindo para a segurança do próprio animal. O procedimento aumenta a longevidade e qualidade de vida do pet, diminuindo comportamentos indesejados como agressividade e marcação de território. 

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Microchip e castração: como métodos oferecem identificação, prevenção e qualidade de vida para pets. (Foto ilustrativa: Freepik).

Segundo Ana Soder, a castração oferece diversos benefícios ao animal e à sociedade, como controle populacional, comportamento e qualidade de vida.

“Evita ninhadas indesejadas, diminuindo o abandono e o número de animais errantes nas ruas; diminui a necessidade de demarcar território com urina, reduz a agressividade e a vontade de fugir para acasalar; reduz o risco de contração de doenças infecciosas transmitidas por brigas e contato sexual; animais castrados tendem a ser mais calmos e carinhosos”

afirma a veterinária.

Tanto para Ana Soder quanto para Adri Xica, o microchip e a castração são mais do que procedimentos técnicos, são atitudes de amor com o pet.

Controle do número de animais

Prefeituras que realizam controle populacional utilizam o microchip para cadastrar os cães (domiciliados, errantes ou comunitários) e ter dados sobre o número destes animais.

Nos casos dos cachorros que vivem nas ruas, o animal é recolhido, passa por castração e depois retorna às ruas já identificado e registrado como cão errante sob responsabilidade do poder público.

Já para os cães comunitários, o dever de manter vacinação em dia, realizar socorro veterinário e castração permanece com o poder público, mas os cuidados diários como carinho, alimentação e água ficam sob responsabilidade de moradores de determinada região.