Afastar a companheira do convívio social, ciúmes em excesso, violência psicológica, verbal ou até física. Esses são alguns dos sinais clássicos de um relacionamento abusivo. Quem está inserido no ciclo de uma relação tóxica pode muitas vezes não perceber o que está acontecendo. A pessoa pode demorar para pedir ajuda ou até aceitar que vive ao lado de um agressor. Seja isso por medo, dependência emocional ou até financeira.

Nem sempre é fácil perceber que está em um relacionamento tóxico. Muitas vezes o abuso chega disfarçado de “amor e carinho em excesso”. De acordo com o psicólogo e coordenador da Especialização em Psicologia Organizacional da PUCPR Dr. Paulo Porto, os relacionados tóxicos podem ter vários graus e acontecem na maioria das vezes do homem para a mulher.

O professor destaca que o abuso está relacionado a quem se considera mais forte ou superior na relação. A pessoa assediada ou agredida se sente mais frágil.

“O homem que promove aquela agressão costuma dizer: eu faço isso para te proteger, porque eu te amo”, explica Paulo

Foto: Agência Brasil

Um relacionamento tóxico pode ter graus de ciúmes, possessão e até de controle social. Existem homens que tentam controlar a roupa que a mulher vai usar e as amizades. “Há uma linha do que pode ser considerado saudável ou não”, diz o especialista.

Como perceber se vivo em um relacionamento abusivo?

O Dr. Paulo destaca que controle e possessão sobre o que uma mulher pode ou não fazer são algumas das características de um relacionamento abusivo. O professor exemplifica uma justificativa que é padrão entre abusadores: “Não quero que você use roupa curta para ninguém te agredir, te molestar, deixa eu cuidar da sua rede social para ninguém fazer nada mal contra você”.

Outra bastante comum está relacionada ao ciúmes: “Você está achando que to sendo muito ciumento então você não me ama. Existe um jogo psicológico muito forte, muitas vezes a vítima entra no jogo e não percebe”, diz Paulo.

Constrangimento em público, interromper a fala de uma pessoa, ridicularizar, não aceitar ser questionado e restrição de liberdade também são algumas das características mais comuns dos relacionamentos abusivos. Além claro, das agressões físicas. Entre elas estão beliscões, tapas e até mesmo quebrar objetos para intimidar a outra pessoa.

Manter um relacionamento tóxico

O professor ressalta que um abusador sempre vai ter características manipuladoras. Os relacionamentos abusivos começam de forma parecida como todos os outros: o casal se apaixona e cria um forte vínculo. “Ele costuma usar o episódio como se fosse uma lua de mel”, destaca

“O cara que agride se arrepende fala com ela, se desculpa, diz vai dar tudo certo. A mulher acaba acreditando e de repente da uma nova agressão. Ai rola um jogo psicológico, vai então no ciclo da lua de mel de novo, a mulher cede e depois tem um novo episódio de agressão”, complementa o professor, ao explicar o funcionamento do ciclo do abuso”

Como ajudar quem está em um relacionamento tóxico e não percebe?

O Dr. Paulo recomenda que quem perceber que um amigo ou familiar vive em um relacionamento abusivo, é importante conversar com essa pessoa.

“Existe um padrão nesse tipo de relacionamento, o abusador vai isolar a pessoa dos amigos, familiares, muitas vezes querer que a pessoa pare de trabalhar. Vai querer que ela fique dependente dele. Então pode começar a alertar com relação a isso”

Se perceber que a mulher assediada ou abusada está com um hematoma, o professor aconselha que o número 180 seja imediatamente acionado. O objetivo desse serviço é ajudar mulheres vítimas de violência. “Acho que seria bacana também falar para a mulher procurar uma terapia, ajuda psicológica, algo que vai ajudar ela a se conhecer e não ser dependente do abusador”, recomenda Paulo.

Por fim, o psicólogo recomenda: “Se você conhece alguém que está em um relacionamento abusivo desconfie, ajude, converse, traga luz para quem está nessa situação”.