A mulher realmente não tem um segundo de paz, literalmente! De acordo com pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgada em 2 de março, 30 milhões de mulheres sofreram algum tipo de assédio no Brasil. Esse é o equivalente a uma mulher assediada por segundo. Episódios como esses foram vistos no Big Brother Brasil 23 na última quinta-feira (16).

Quando chegou no BBB 23, a mexicana Dania Mendez passou por muito em pouco tempo. Inicialmente, colegas de confinamento mexeram nos pertences da nova sister. Depois, a influenciadora digital lidou com situações de importunação sexual praticadas por MC Guimê e Cara de Sapato. A dupla foi expulsa e Dania foi retirada do Big Brother também. Ela ficou apenas dois dias no reality.
De acordo com a advogada e mestre em Direito Juliana Bertholdi, em muitos casos, as vítimas se sentem coagidas em falar que foram violentadas ou que sofreram algum tipo de assédio. Tudo isso por conta de possíveis julgamentos sociais. No BBB, ao ser questionada sobre as atitudes dos rapazes no confessionário do reality show, Dania disse não ter sido “nada demais”. Contudo, se sentiu culpada ao receber a notícia de que Guimé e Sapato foram expulsos.
“A Dania sentiu culpa por ter gerado a expulsão. Toda culpa sempre recai sobre a mulher. Nada em nenhum contexto autoriza que um homem aja sem seu consentimento”, diz
Juliana destaca que existem tabus quando se fala na violência contra a mulher. Por isso, vários fatores podem fazer com que as denúncias não sejam realizadas. Entre eles estão: ameaças feitas pelo assediador, sensação de impunidade, vergonha de expor a situação publicamente e medo de sofrer retaliações.“Isso é fruto da nossa estrutura social, da violência que as mulheres passam e pela culpabilização delas”
Mudança social
A especialista reforça que as denúncias de assédio precisam vir à público. “Se você tiver em um ambiente de trabalho e o assédio vem de um superior, por exemplo, a gente tem o crime de assédio sexual. O caminho será fazer boletim de ocorrência na região onde aconteceu o crime. Teoricamente qualquer delegacia está apta a fazer um boletim de ocorrência por esse delito”, afirma
Apesar da dificuldade em fazer esse tipo de denúncia, Juliana explica que essa será a melhor forma de trazer mudanças na cultura da sociedade.
“Seja no trabalho, em uma festa, no momento que você está sóbrio, nada autoriza a interferência masculina na nossa esfera pessoal. Quanto mais mulheres levarem a situação a público mais mudança social a gente vai ter a partir da movimentação. Não é fácil fazer as denúncias, mas é fundamental!”, conclui