Quem nunca foi convidado para uma festa, reunião com amigos ou happy hour do trabalho enquanto faz tratamento médico? Se você estiver tomando remédio e decidir tomar alguma bebida com álcool fica aquela dúvida: o remédio pode tirar o efeito da bebida? Essa é uma pergunta que muitos leitores já devem ter feito a si mesmos.

Foto: Agência Brasil

Com essa reportagem, vamos tirar essa dúvida de uma vez por todas: é verdade sim! O álcool pode cortar efeitos de remédios. No entanto, ele só faz isso se for consumido junto a algumas classes de medicamentos.

Afinal, o uso de algumas substâncias pode ter o efeito alterado quando os produtos são utilizados de forma concomitante com o álcool. Uma delas é o anti-inflamatório, que pode ter o efeito inibido com a ação do álcool. Outro remédio que comumente é vedado com o consumo de álcool é o antibiótico, contudo, isso vai depender de qual medicamento o paciente vai precisar tomar.

De acordo com professor do curso de Farmácia da Universidade Positivo Felipe Lukacievicz Barbosa, não há uma dose mínima de remédios que vai comprovar que a ação do álcool pode ser prejudicial. “Mas vale lembrar que a utilização do álcool causa uma depressão do sistema nervoso central e pode diminuir o sistema imunológico”, diz.

O especialista destaca que, em muitos casos, o medicamento pode ter seu efeito potencializado pelo álcool ou, a bebida pode causar um impacto maior no organismo do paciente. Esse é o caso dos antidepressivos. Essa classe se interage com o álcool pode resultar em efeitos como insônia e depressão. Além disso, o indivíduo pode ficar com maior sensibilidade ao álcool.

“As vezes com um depressor do sistema nervoso, a pessoa toma um copo e sente a embriaguez”, diz

Alterações do álcool mudam metabolização

Para Matheus Murmel Guimarães, professor do curso de Farmácia da PUCPR, a resposta para a pergunta não é fácil. O álcool pode interferir positivamente ou de forma negativa com outros fármacos. Se o álcool aumenta a taxa de absorção do medicamento, os efeitos dele podem ter aumentar. A redução da taxa da absorção de fármacos em função do Etanol também pode acontecer. Com isso, o álcool tem efeito potencializado.

Matheus afirma que as interações não se restringem apenas a absorção. “Posso ter a absorção em função de metabolização do Etanol. Os sistemas de enzimas responsáveis por metabolizar o Etanol são restritos”, diz.

O especialista ressalta que a metabolização do álcool podem ter uma expressão ativa no organismo. “Uma competição de medicamentos, muitos fármacos acabam não sendo metabolizados com grande quantidade de álcool”.

Após a fala dos dois especialistas segue a conclusão: questione sempre ao seu médico, se é seguro tomar bebida alcoólica enquanto estiver em um tratamento.

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Mito ou verdade: misturar remédio com bebida pode cortar ação do medicamento?

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