Palavras que sempre fizeram parte do nosso vocabulário estão, pouco a pouco, desaparecendo. Com a evolução da língua e das formas de comunicação, muitos termos acabam caindo em desuso, se modificam, são esquecidos ou substituídos por outros mais atuais.

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Imagem ilustrativa: Freepik.

Expressões que eram comuns no dia a dia antigamente hoje quase não aparecem mais no cotidiano. Em geral, sobrevivem em clássicos da literatura, textos religiosos, poemas e recortes que costumam aparecer em vestibulares e exames como o Enem.

Esse fenômeno é conhecido como arcaísmo – o nome dado a palavras, expressões ou formas de linguagem que caíram em desuso.

Ou seja, eram usadas em épocas passadas, mas hoje soam antigas, formais ou até estranhas para o falante moderno. Isso acontece porque a língua é dinâmica e está em constante transformação.

Palavras antigas que estão desaparecendo

Nesta quarta-feira (12), há pelo menos 50 palavras que causam certo estranhamento quando são ouvidas ou lidas, de acordo com levantamento do Observatório da Língua Portuguesa, da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, sediada em Lisboa, Portugal. Nessas situações, resta recorrer ao dicionário para entender seus significados.

Um exemplo clássico é vitrola. Muitos jovens talvez não saibam o que é, para que serve ou sequer imaginem que ainda exista. Trata-se daquele aparelho antigo que reproduz discos de vinil – e que fez muito sucesso em décadas passadas.

Por outro lado, expressões de tom negativo também desapareceram do vocabulário de grande parte das pessoas: sacripanta (pessoa desprezível), basbaque (ingênuo), tabefe (tapa, bofetada), quiproquó (confusão, mal-entendido), lambisgoia (mulher antipática) e balela (mentira).

Alguns termos usados para qualidades: janota (pessoa que se veste com elegância) e supimpa (algo muito bom).

Já entre os verbos esquecidos estão: gorar (frustrar, não dar certo), brunir (alisar ou dar brilho, especialmente em tecidos ou metais), asseverar (afirmar) e zoar (no sentido antigo, de produzir som alto).

Outros exemplos de expressões ‘esquecidas’

Algumas palavras que raramente são usadas hoje soam antigas, mas carregam charme e história. Veja alguns exemplos:

Dondoca – mulher de boa situação social, fútil ou ociosa.
Exemplo: “Todo mundo no bairro a chamava de dondoca por causa das roupas caras e do ar de superioridade.”

Carraspana – estado de embriaguez.
Exemplo: “Prometeu nunca mais beber tanto depois daquela carraspana histórica.”

Fuzarca – bagunça ou confusão.
Exemplo: “As crianças fizeram uma fuzarca na sala de aula.”

Ósculo – palavra formal para “beijo”.
Exemplo: “Antes da despedida, trocou com ela um leve ósculo no rosto.”

Obséquio – favor ou gentileza.
Exemplo: “Por obséquio, poderia me informar as horas?”

Pachorra – paciência ou calma excessiva.
Exemplo: “Ele teve a pachorra de esperar por duas horas.”

Convescote – reunião ao ar livre, semelhante a um piquenique.
Exemplo: “No domingo ensolarado, o grupo organizou um convescote às margens do rio.”

Quiçá – talvez, porventura.
Exemplo: “Ela é a melhor aluna da turma, quiçá de toda a escola.”

Petiz – criança pequena.
Exemplo: “O petiz corria descalço pelo quintal, rindo sem preocupação alguma.”