Dia Internacional dos Direitos Humanos: tema é muito maior do que ‘direito de bandidos’; entenda a importância

Desconhecimento sobre o tema vem dando espaço para que grupos extremistas apresentem outros significados sobre direitos humanos

Lucas Sarzi, com informações da assessoria

Você sabia que, mais do que “direito de bandido”, direitos humanos são… nossos direitos? Pois é. Falar em “direitos humanos”, nos últimos anos, acabou se tornando uma espécie de tabu nas rodas de conversa. Mas não deveria. 

Neste domingo (10), completam 75 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Mesmo passadas mais de sete décadas, os desafios são grandes para que todas as pessoas tenham vidas com dignidade. 

Foto: Reprodução/Fundação Escola Superior do Ministério Público do Rio Grande do Sul.

No Brasil e no mundo, persistem ameaças aos princípios democráticos e à concretização dos direitos humanos, como violências, discursos de ódio, autoritarismos, preconceitos e discriminações. Mais do que tudo, é o desconhecimento.

“O desconhecimento sobre os direitos humanos é um ponto de atenção, pois significa que a população não reconhece como direitos humanos direitos básicos em sua vida, como o direito a um salário digno, o direito de liberdade de expressão, o direito de constituir família. Tudo isso são direitos humanos e são para todas as pessoas”

comenta Michele Bravos, diretora-executiva do Instituto Aurora para Educação em Direitos Humanos.

Esse desconhecimento dá espaço para que grupos extremistas apresentem outros significados sobre direitos humanos. 

“Associam a direitos de bandidos ou ainda afirmando que direitos humanos têm uma agenda de censura ou contra a família tradicional, por exemplo. Isso é mentira. A questão é que uma cultura de direitos humanos não tolera o ódio e é também inclusiva, e isso incomoda alguns grupos”. 

Assinada em 10 de dezembro, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi pensada em um contexto pós-Segunda Guerra Mundial, para evitar que as atrocidades daquele período voltassem a ser cometidas. De lá pra cá, avançamos muito, mas regredimos também.

A pesquisa “Percepção Social sobre Mulheres Defensoras de Direitos Humanos”, realizada pela ONU Mulheres e o Instituto Ipsos, revelou que 61% das pessoas entrevistadas afirmaram conhecer “pouco” ou “nada” sobre direitos humanos. Além disso, 80% acreditam que o Estado brasileiro não garante integralmente os direitos humanos da população.

Foto: Reprodução/Federação dos Professores do Estado de São Paulo.

Educação é o caminho

O que falta? Na avaliação de Michele Bravos, sensibilização e, acima de tudo, educação sobre o assunto.

“A educação em direitos humanos é um caminho para promover e fortalecer uma cultura de direitos humanos, sendo eficaz se ela permear diversas esferas da sociedade, da educação formal, para que estudantes e familiares compreendam seus direitos e dos outros, das instituições com formação e servidores públicos para que atuem de modo respeitoso e não discriminatório com a população, dos profissionais da mídia, que façam escolhas que contribuam para a construção de narrativas e do imaginário coletivo em favor dos direitos humanos e das populações mais à margem da sociedade”. 

O Instituto Aurora atua com projetos de promoção e defesa da EDH e, nos últimos três anos, realizou a pesquisa “Panorama da Educação em Direitos Humanos no Brasil”, que avalia a institucionalização da área em nível estadual e federal. Os materiais estão disponíveis para download gratuito no site da organização.

“Em tempo de propagação de ódio a pessoas específicas como mulheres, LGBTI+, negros e indígenas, é precisque a populaçaõ seja lembrada, constantemente, de que toda pessoa é detentora de direitos, digna de respeito e de existir no mundo. Por isso a educação em direitos humanos é tão necessária, pois não apenas ensina sobre direitos humanos, como também sensibiliza para o reconhecimento do outro”.

conclui Michele Bravos.
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