Como posso fazer para começar a aplicar meu dinheiro?

O professor da UFPR e doutor em desenvolvimento econômico, José Guilherme Silva Vieira dá dicas valiosas para aumentar a própria renda

Rodrigo Silva

Como posso fazer para começar a aplicar meu dinheiro?

A pandemia trouxe inúmeras incertezas para a população brasileira, principalmente quando o assunto é relacionado a questões financeiras. De acordo com um levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria), 32% das pessoas conseguiu gastar menos ou guardar dinheiro. Em parte, isso está diretamente relacionado a hábitos inadequados de consumo em um país onde a renda média de cada indivíduo é considerada como baixa.

Para o doutor em desenvolvimento econômico e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), José Guilherme Silva Vieira, apesar de ser difícil de economizar dinheiro enquanto a renda mensal é baixa demais, os brasileiros tem algumas oportunidades de juntar mais dinheiro ao longo do mês. O economista considera que a pandemia forneceu lições para quem não tem o hábito de fazer as chamadas reservas de emergência.

“Pessoas que tinham patrimônio e foram surpreendidas por uma crise, tiveram uma perda brutal na qualidade de vida. De classe média alta, até alguns mais ricos mesmo”, diz

Segundo o professor, as lições para quem vive no limite em termos de gastos foram inúmeras. “A providência e a improvidência estão juntas nesse processo”, destaca. Além disso, o especialista aponta que, ao longo dos anos, foi possível ver mudanças em setores essenciais como a aposentadoria. Com isso, se cada pessoa não fizer um fundo de emergência ou patrimônio no qual pode se apoiar, ela corre o risco de sofrer financeiramente. “Sofrer em uma fase onde não pode contar com muita gente”, acrescenta.

José Guilherme afirma que questões como a aposentadoria e o processo de envelhecimento já deveriam exigir uma mudança de comportamento dos brasileiros quando se trata de dinheiro, tudo visando a garantia de um futuro melhor.

Avaliação de investimentos

Brasileiro precisa mudar padrão de comportamento com o dinheiro, diz especialista. Foto: Agência Brasil

Antes de pensar em fazer aplicações, o professor José Guilherme ressalta que é preciso que o brasileiro passe a cuidar do dinheiro que será investido e não tenha o comportamento de financiar o consumo desenfreado, gastando em produtos que não precisa essencialmente ter em casa. “Ser um consumidor consciente e não ficar ostentando uma imagem e pagar caro por isso”, afirma.

Outro exemplo citado pelo professor está no financiamento de uma casa própria. Segundo ele, com as taxas de juros baixas, uma residência pode ser financiada e com o tempo vir a se valorizar. Com isso, essa seria uma dividia benéfica para o consumidor, já que o valor da casa pode subir com o passar dos anos. Algo que é diferente do financiamento de uma televisão, que perde valor de mercado com o tempo.

“Nesse atual momento com juros baixos, os financiamentos de imóveis estão bons e acredito que isso deve ser uma tendência no Brasil ao longo dos anos”, opinou o professor

José Guilherme também destaca o mercado das corretoras e das Fintechs (empresas que lidam com finanças e tecnologia). Segundo o professor, essas iniciativas resultaram em uma mudança de crédito no mercado que barateou os custos para a tomada de empréstimo. Ao mesmo tempo, esses estabelecimentos ofereceram novas possibilidades de investimentos.

Segurança na hora de aplicar

Segundo especialista, há insegurança em fazer investimentos em plataformas que funcionam de maneira totalmente online. Foto: Agência Brasil

Com o passar dos anos e na medida em que começaram a surgir novas iniciativas para promover investimentos e aplicações, muitas pessoas passaram a questionar a segurança da tecnologia no caso do remanejamento de dinheiro. Por exemplo, existem corretoras que funcionam de maneira totalmente online e, muitas vezes, não há sequer uma sede na cidade onde fica um determinado investidor.

“A geração mais nova não tem esse tipo de problema. Nos últimos anos, nós multiplicamos em mais de sete vezes o número de pessoas cadastradas na bolsa de valores, é uma mudança histórica em termos de participação de mercado embora ainda seja algo muito pequeno”, destaca José Guilherme

Antes de investir, o professor sugere que o investidor sempre faça aplicações em instituições de maior credibilidade. Esse é o caso das instituições financeiras que foram registradas no Banco Central. No entanto, em alguns tipos de investimentos, como nas criptomoedas, ainda não há uma legislação muito consolidada.

“Você tem que pensar: qual é o outro critério que eu normalmente utilizo para julgar credibilidade? Histórico, tempo de atuação, reclamações no site de reclamações, escolher uma boa instituição eu acho que isso tem que ser feito em primeiro lugar”, aconselha

Outra dica do especialista está em dividir o dinheiro em instituições diferentes. Cada uma delas vai oferecer uma vantagem diferente que pode beneficiar ao investidor. Por isso, o economista indica que, antes de uma aplicação, é importante se organizar como consumidor, tomar decisões que não vão comprometer a própria renda de maneira significativa, entre outras sugestões.

Reserva para emergências

Reserva de dinheiro para sustentar a família é essencial durante a crise. Foto: Agência Brasil

De acordo com o especialista, o estabelecimento de uma reserva de emergência contra possíveis acontecimentos imprevisíveis é essencial. Por exemplo, no caso da perda de emprego, despesas significativas em saúde, entre outros. A ideia é que esse dinheiro sustente uma determinada residência nos seus principais gastos por até seis meses.

“Sustenta todos os seus compromissos inadiáveis e, a partir dai, pensar em aplicar dinheiro”, aconselha

Hora de investir

Antes de investir, as pessoas precisam pensar em qual é o objetivo delas, diz especialista. Foto: Agência Brasil

Por fim, José Guilherme destaca que os investidores devem ter objetivos claros em mente antes de fazer os investimentos. Se há um objetivo de médio prazo (4 ou 5 anos), o economista afirma que não é indicado pensar na aplicação em renda variável. “É um horizonte muito curto para gente ter certeza de que a pessoa vai estar ganhando dinheiro”, diz.

Nesse caso, o investidor pode começar aplicando dinheiro em investimentos públicos do chamado Tesouro Direto. Se o objetivo é de juntar patrimônio, o especialista acredita que o Tesouro é o ideal pois vai proporcionar uma taxa de juros cheia e não uma que é descontada pelos bancos.

No entanto, se o investidor pensa em objetivos a longo prazo, ele deve ir atrás de investimentos em rendas variáveis e procurar o máximo de informações possíveis sobre isso. Um clássico da renda variável é o mercado de ações, onde só se ganha direito pela compra de pequenas parcelas de negócios. José Guilherme sugere que o investidor pense antes em comprar ações de empresas mais conhecidas.

“Investir em ações é certeiro para ganhar dinheiro a longo prazo”, afirma.

De acordo com o professor, os grandes investidores colocam o dinheiro em investimentos seguros e conhecidos para dividir o dinheiro em partes menores para arriscar em mercados novos. “Se você colocar em até 5% do seu patrimônio em ativos digitais novos, não é algo considerado arriscado,“ diz.

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